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Histórias Reais 17/05/12

A experiência do desfralde

A Bia é a mãe da Luana, de 2 anos, e veio contar pra gente a experiência dela com o desfralde.

Toda vez que conversava com alguém sobre o desfralde, logo ouvia: preste atenção aos sinais. E fui pesquisar os tais sinais. Descobri uma lista de dicas que deve ser verificar antes, para ver se seu filho está ou não preparado para iniciar o processo de desfralde. Porque é um processo, mas eu não sabia. Eu percebi que se fosse esperar a Luana completar a tal lista, só iria começar a desfraldá-la com 18 anos. Está aí o primeiro erro – A ansiedade. Por mais que estejamos preparadas para que ela faça xixi no chão, é muito difícil não parecer frustrada quando isso acontece. Voltando à lista, como ela atendia a maioria dos requisitos, comecei. A primeira dificuldade é saber com qual objeto a criança vai se adaptar melhor. Compramos um “troninho” lindo pra ela, só faltava falar e ela odiou. Com isso recuei. Segundo erro – Não dá pra fazer um ioiô com o desfralde. Isso confunde a cabeça da criança. Compramos, então, uma tampinha para colocar no acento sanitário. Colocamos uns adesivos e ficou simpático, ela gostou. Forrei os sofás com plástico, tirei o tapete do chão e passei a acompanhá-la. Constantemente perguntava se queria fazer xixi. Terceiro erro – o desfralde tem que ser uma coisa natural e não um circo. Além disso, perguntar a todo instante se a criança quer fazer xixi, significa que quem está treinado é você e não ela. Minha maior preocupação era não causar nenhum trauma e também não forçá-la a nada.

Depois de 2 semanas não tive muita evolução e resolvi conversar com uma psicopedagoga. A Luana está começando a falar, mas ainda não verbaliza sua vontade em fazer xixi ou coco e esse foi o principal motivo pelo qual fui aconselhada a desistir. Confesso que foi um alívio, pois é muito grande a preocupação em estar fazendo a coisa certa e por mais literatura que se tenha, cada criança é um caso. Agora ela está indo para escolinha e a diretora me tranquilizou que eles cuidarão disso. Junto com outras crianças tudo fica mais fácil e até divertido. Sei que como mãe queremos fazer tudo, mas o que essa tentativa me ensinou é que certas questões podem ser cuidadas por quem tem experiência e prática no assunto e a gente não precisa se sentir culpada por isso!

Envie sua história real, foto, nome da mamãe, papai e filhote para real@vestidademae.com.br



Histórias Reais 20/03/12

Bebê Prematuro e Superação

Hoje temos a história da Flávia Gurgel e da vitória do filho Felipe, que nasceu prematuro. Na verdade muito mais do que uma história real, e sim uma lição de vida. Além do lindo texto abaixo, ela compartilhou toda a história dele no Blog do Felipe.

Oi Mães, Tudo bom?
Depois de pouco mais de um ano e meio, resolvi compartilhar com vocês um pouco da minha história com meu segundo filho. Meu nome é Flávia, tenho 32 anos, sou casada há 06 anos e tenho uma filha, a Carol, de 04 anos. A Carol nasceu dia 06 de março de 2008, de 40 semanas, linda, saudável, com quase 3 kg. Depois de 2 anos, eu e o Léo, meu marido, resolvemos dar um irmão ou irmã para ela. No dia 15 de fevereiro de 2010 veio a GRANDE notícia: eu estava grávida! Descobrimos que o bebê era o Felipe e que ia nascer dia 23 de Outubro de 2010. Um detalhe: como trabalho com casamentos, eu tinha mesmo programado para que ele nascesse depois do meu período de mais festas, Setembro e Outubro, e dia 16 de outubro, seria meu último casamento, onde eu estaria de qualquer jeito! E também não queria que ele nascesse de leão nem de escorpião (sou leonina e sei como sou difícil e tenho pai e irmão de escorpião e sei como é complicado também).  Enfim, estávamos nas nuvens!

Dia 12 de junho de 2010, na abertura da Copa do Mundo, meu irmão casou e, claro, eu que organizei! Estava linda, grávida, a Carol, com então 2 anos e pouquinho foi a daminha, mas na hora das fotos, tive um sangramento. Continuei no casamento e o médico me pediu repouso, mas o sangramento não diminuiu e ainda vieram as cólicas. Dia 16 de junho de 2010, eu então com 5 meses, fui fazer ultrassom e estava com um nível hiper baixo de líquido amniótico! Resultado: fui internada na hora (na hora não porque no São Luis tudo demora, e mesmo eu na situação que estava, demorei 8 horas para ser internada). Quando fui internada, minha médica falou para mim que eu só sairia do hospital quando meu filho nascesse! Na minha cabeça? Vou ficar 4 meses aqui! Socorro! E fui internada, colocaram soro nas minhas veias (para repor o líquido) e fui fazendo exames. Em 1 semana, me viraram de cabeça pra baixo, vieram médicos de todos os locais e especialidades, enfim, tinha tido ruptura de bolsa, sem nenhum motivo (até hoje não se explica isso e só chegamos a essa conclusão por eliminatória – não era placenta prévia, nem colo do útero curto e ufa, nem problema com o rim do bebê). Resultado: tive que ficar 2 meses internada em repouso, só podia levantar para ir no banheiro e tomar banho. Vocês imaginam? Eu, super ativa, com uma filha de 3 anos prestes a entrar de férias, noivas, trabalho… E agora?

Bom, aí que vem a lição de vida (modéstia a parte): comprei máquina de café, forninho elétrico, fazia até supermercado delivery, pedia canapés para um dos meus buffets parceiros, brigadeiro para minha doceira preferida, flores para a decoradora com quem eu trabalhava… criei uma casa com escritório no São Luis. Simplesmente adaptei a minha rotina: tinha meu computador, trabalhava, fazia reunião uma vez por semana com a minha gerente, fazia drenagem 2 vezes por semana, terapia uma vez (a minha terapeuta ia lá), minhas manicures iam uma vez por semana fazer pé, mão, escova e depilar, tudo. Meu marido ficou do meu lado o tempo todo, me ajudando, apoiando, ouvindo meus ataques de choro. Minha mãe mudou para perto de casa para poder me ajudar com a Carol e ela e o Léo, junto comigo, foram verdadeiros heróis! Eu via a Carol 1 vez por semana, quando eu tirava o soro, pedia brinquedos on-line e ficava com ela tomando chá, brincando e vendo filmes. Além disso, eu pedia comida de todos os restaurantes, meu pai mandava o motorista me entregar, além dos deliverys (a minha dieta era totalmente liberada). E ainda fiz um kit banheiro, com cremes, sabonetes e óleos deliciosos, meu marido comprou até edredom para eu me sentir melhor. E mais: eu não tinha horário para acordar, fazia fisioterapia com as fofas do hospital, mudei para um quarto que tinha varanda (onde quando dava eu tomava sol); fiz um chá de fralda por fim de semana (cada domingo eram 8 amigos – durou 4 finais de semana – era meu jeito de fazer o domingo passar), chamei a fotógrafa que tirou as fotos da Carol para fazer meu ensaio lá, e até fondue (meu irmão me deu uma panela elétrica) eu fiz, com direito a uma taça de champanhe liberada pelo médico. Os outros 2 heróis aí foram o meu médio, Dr. Aldrighi, que ia todo dia me ver e falar para eu acreditar em Deus. E o Dr. Adolfo, que fazia ultrassom toda semana e me dava palavras e amor e incentivo! Fora as heroínas das enfermeiras e da Dra. Ana Paula, filha do Aldrighi, que foi quem me internou.

Mas a questão é que desde o dia em que eu fui internada, o Felipe podia nascer  e provavelmente nem sobreviveria. Ele não tinha nem 350g quando cheguei no hospital, a luta era para passarmos de 25 semanas, tentarmos chegar em 28 e ele completar pelo menos 1 kg na minha barriga. O quarto dele, meu marido foi arrumando e tirava foto para eu ver, as roupinhas (antes de tudo, tínhamos ido fazer o enxoval na Disney) ele levava para o hospital para que eu pudesse arrumar. Bom, sabíamos que ele nasceria pré-maturo (mais de 32 semanas já era risco para mãe também) e começamos a correr atrás de roupinhas e tudo mais, mas aí vinham as notícias: ele vai ter que ficar na incubadora, você não poderá amamentar, ninguém (só os pais) poderiam vê-lo na UTI, você vai ter que tirar leite e por aí vai… UFA!

E chegamos em 30 semanas! O Felipe completou 1.300 kg na minha barriga e no dia do meu aniversário, dia 14 de agosto de 2010, entrei em trabalho de parto (com 30 semanas e 3/4), esperei até a troca de plantão (da madrugada para a manhã – a essa altura, conhecia e era amiga de todas as enfermeiras e sabia quem eu queria que tivesse comigo naquele momento). E eis, que as 11h30 da manhã, chega o Felipe, com seu mesmo 1.300 Kg, signo de leão, ascendente em escorpião! Um guerreiro!

E aí, veio a outra luta! Mas essa tinha coisas boas: voltei para casa, matei a saudade da minha filha e da minha vida! Aluguei máquina para tirar leite e tirava de 3 em 3 horas, visitava o Felipe todo dia e cada dia era uma vitória, nunca passou pela nossa cabeça que ele não ia sobreviver, às vezes ele piorava, às vezes melhorava, crescia, ganhava peso, perdia peso, ele teve toda as complicações possíveis (só não precisou passar por cirurgia). Nisso, conheci outras mães, vi mil casos e descobri que a UTI é um mundo a parte, onde cada 100g era comemorada como se fosse uma alta. Até que dia 02 de outubro, pude pegar ele no colo pela primeira vez! Ele tinha saído da incubadora depois de 50 dias, e pude amamentar, e tinha leite (coisas de Deus e da natureza).

E dia 26 de Outubro de 2010, o Felipe teve alta, com 2.800 kg…
Hoje? Ele tem 1 ano e 7 meses, é um bebê lindo, esperto, independente, não teve nenhuma sequela, nada… o que eu tenho pra dizer? ACREDITE! Apenas acredite!

Ah! E durante todo esse tempo (2 meses e meio de UTI) consegui fazer todos os meus casamentos, consegui colocar minha vida e minha casa em ordem, arrumar e conhecer o quartinho dele e preparar ele pra chegada em casa! Hoje, ainda tento recuperar os quilos ganhos no hospital e nunca mais sonhar com o que aconteceu, a custa de muita terapia, muito amor do meu marido e dos meus dois filhos!

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Vencendo a SOP

Esta é a história da Isabella Carolina, mamãe do Victor, com final feliz!

Aos 17 anos descobri, em exames de rotina, que tinha SOP (Síndrome do Ovário Policístico) e que, por isso, teria dificuldades para engravidar… Mas, isso só se tornou bem real em minha vida, quando decidimos que era hora de ter um filho.  As características da síndrome são ciclos menstruais desregulados ou ausentes, obesidade, aumento de pelos no corpo, pele oleosa. Isso porque há um aumento de hormônio masculino. Além disso, em exames de ultrassom é possível verificar a presença de cistos nos ovários. Lembro que perguntei ao meu ginecologista se existia cura, e ele me respondeu que depois que eu engravidasse podia ser que melhorasse. Mas, o tratamento é o uso de anticoncepcional, para as mulheres que não querem engravidar, e indutores para as que querem. E é importante também controlar o peso, pois quanto mais obesa, pior fica a síndrome. É importante lembrar que muitas mulheres que tem SOP engravidam sem tratamento, pois como eu disse os ciclos são irregulares, mas pode ter ovulação.

Meu caso foi mais complicado. Usei o anticoncepcional durante mais de 10 anos. Quando decidi engravidar, devido aos meus exames e a minha ansiedade, já fomos direto para os indutores orais, não esperamos um ano de tentativas. Explico: apenas após um ano sem meios contraceptivos, e sem sucesso, ou seja, sem gravidez, que um casal é diagnosticado com problemas de fertilidade, e ai começa a busca dos motivos.  Fiquei mais de um ano fazendo tratamento com indutores orais, mas meu organismo não respondia bem. Ovulei apenas três vezes nesse ano, cheguei a engravidar, mas perdi o bebê uma semana depois do beta positivo. Chorei tudo que queria, fiquei no quarto escuro dois dias seguidos… Mas depois levantei e voltei pra luta…

Decidi que era hora de procurar um especialista em infertilidade. Fiz todos os exames e comecei com o tratamento com indutores injetáveis. Três ciclos se passaram, e nada. Os médicos me explicaram que meus ovários são muito difíceis, porque o limite entre ovular muito e não ovular nada é mínimo, com isso ficava difícil administrar as doses corretas do medicamento. Por esse motivo, eles acharam mais conveniente que partíssemos para a FIV (Fertilização In Vitro). Vou ser sincera, não era o que eu queria. Sonhava em ser mãe e queria muito que fosse “natural”. Mas, finalmente aceitei que não seria possível e que se eu tinha que passar por tudo isso é porque Deus tinha esse propósito na minha vida. Sempre fui muito mimada e tive tudo quando quis, acho que era hora de ter que lutar por alguma coisa!

Então, vamos lá! Ultrassom a cada dois dias, injeções diárias na barriga (que ficou toda roxa). Quando os folículos começaram a atingir o tamanho, mais injeção, pra bloquear a hipófise e eu não ovular naturalmente… E exames de sangue pra controlar os hormônios dia sim, dia não. Mas eu não reclamei de nada! Pelo contrário… Eu sabia que tinha que passar por tudo, e passei da melhor maneira possível… Sempre com muita fé em Deus! Que, tenho certeza, estava comigo o tempo todo…

No dia da punção dos óvulos meu marido colheu o esperma e a fecundação ocorreu em laboratório. Na hora da transferência, eu e marido acompanhando pelo ultrassom, o Doutor comentou que queria que toda transferência fosse como aquela! Gente, naquela hora eu senti a presença de Deus ali, tão forte, que eu sabia que estava grávida!

Chegou o dia do beta… Fui fazer o exame e fiquei aguardando o resultado… Entrava na internet de 5 em 5 minutos para ver se tinha saído o resultado, mas nada… Tive que sair e liguei para o marido olhar, nada… Na segunda vez, ele falou: Humm… 45,88… Acho que é… Fiquei meio tonta… Mas achei muito baixo… Fiquei feliz, mas ainda não pulei… Passou um tempo a psicóloga da clínica ligou pra dar a noticia… Perguntei: Ju, você liga só pra dar notícia ruim, ou boa também? Ela falou: Boa também, como agora! Parabéns, você está grávida!!! Depois fiz um ultrassom e lá estava meu saco gestacional… No outro, lá estava o coração do bebê batendo… Sim, eu estava mesmo grávida!

E hoje eu sou a mãe mais babona do mundo! Victor, razão da minha existência! Nasceu dia 16/12/2011, às 17 h, de parto normal (um dia antes do meu aniversário, o melhor presente de todos!). E eu passaria por tudo outra vez, para ter em meus braços essa coisinha linda!

Foto: Mari Camargos Fotografia Infantil