Como escolher a escola infantil

As dicas abaixo são baseadas em minha experiência pessoal, meus valores e tudo o que tenho aprendido em cursos que participo sobre educação infantil. Esses são os pontos que eu sugiro você refletir e alinha com seus valores na hora de escolher a melhor escola para seus filhos:

 Individualidade da criança: uma grande pedagoga me contou que a maior preocupação dela quando colocou as crianças pequenas na escola era como a escola não iria estragar seu filho. Na primeira infância a identidade da criança está em formação. Como a escola irá respeitar a formação da identidade de cada indivíduo no ambiente coletivo é a melhor questão para perguntar ao visitar as escolas. A criança está descobrindo quem é ele, o que ele quer. Escolas com ‘set de regras’ muito rígidos nessa fase moldam a forma como se constroí a identidade. (Sugestão: na visita à escola, pergunte como a escola cuida da identidade individual da criança em formação).

 Área verde: criança precisa de espaço para brincar, correr, explorar. Precisa do contato com a natureza que não temos oportunidade de ter para quem vive em apartamentos pequenos. Contato com pequenos animais, chão de terra, tanque de areia, horta, área verde. Numa Era em que cada vez mais a tecnologia faz parte do nosso dia, manter a criança conectada na natureza é fundamental. (Sugestão: na visita à escola, pergunte sobre o tempo em que as crianças passam dentro da sala e o tempo em atividades fora da sala, ao ar livre, no pátio da escola).

 Localização: Para alguns pais é o item mais importante, principalmente em grandes metrópoles como São Paulo, não faz sentido perder tanto tempo com a criança no carro para ir e vir, especialmente primeira infância – a criança pequena já chegará cansada ou dormindo se ficar muito tempo no carro. Praticidade para ir e vir é importante.

 Foco em brincar: na primeira infância brincar é o caminho genuíno para aprender e formar-se como sujeito autônomo e social. Aquisição de conhecimento técnico ou qualquer exigência é nula nesta fase. As crianças desenvolvem suas competências corporais e individuais brincando. Fuja de qualquer aceleração de experiências, pré-alfabetização, competição. Essa é uma ansiedade dos pais que tem atrapalhado o desenvolvimento genuíno das crianças. Criança precisa brincar e hoje as escolas infantis desempenham esse papel, já que antigamente as crianças tinham mais possibilidade de brincar livre na rua e praças. Eu me encanto pelas escolas com espaço criativo para brincar, brinquedos de madeira, espaços lúdicos sempre renovados para despertar novas atenções, brinquedos que possa escalar, tanque de área.

 Sem apostilas: acho simplesmente bizarro ter apostilas para crianças na primeira infância. Pelo o que conversei com alguns pais e escolas, acabou se tornando uma ferramenta muito mais para agradar aos pais, que querem sentir que a escola está “educando” seus filhos. Se a escola não tem apostila, acham a escola fraca. Para mim, se a escola segue apostilas prontas, simplesmente não estão respeitando o item 1, da construção da individualização. Não estão prestando atenção nos projetos, temas e questões que cada indivíduo e turma trazem para o dia a dia em escola. Vou dar um exemplo real do ano passado do meu filho: a professora percebeu que um dos livros favoritos da classe no momento da leitura era “o Grande Rabanete”. Com essa percepção de temas que surgem da própria classe, a professora criou diversos projetos: plantaram rabanete, acompanharam o crescimento, teve um biólogo explicando como cuidar da plantação, depois na aula de culinária fizeram uma salada de rabanete. Se as aulas são pré-moldadas baseada sem apostilas, nada disso teria acontecido. é muito mais interessante se desenvolver a partir das experiências reais.

 Diversidade e inclusão: em pleno terceiro milênio, num mundo globalizado, se a escola não está aberta para a diversidade, para atender crianças com necessidades especiais, não serve para cuidar de nossos filhos. Porque hoje uma das maiores competências do mundo é empatia. Se não aprendemos desde criança a compreender a necessidade do outro, que triste o adulto se tornará. (Sugestão: na visita à escola, pergunte como a escola recebe alunos com necessidades especiais).

 Alimentação saudável: não é um assunto ainda prioridade para todas as famílias, mas sem dúvidas foi prioridade na minha decisão de escolha da escola. Em algumas escolas são os pais quem enviam o lanche. Em outras, é fornecido pela escola. Neste segundo caso, peça para visitar a cozinha, veja o cardápio, converse com a nutricionista da escola. Na primeira infância é onde a base da alimentação se forma. Lógico que o mais importante é o exemplo que se dá em casa, mas se a criança vai ficar o dia inteiro na escola, muitas vezes tendo o lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar, então é importante avaliar. Evitar consumo excessivo de industrializados. (Sugestão: na visita à escola, peça para ver o cardápio mensal do lanche/ refeições e visite a cozinha).

 Parceria escola-família: valores de vida se aprende em casa, e não na escola. Mas é importante que a escola esteja alinhada com seu estilo de vida e os valores que você acredita. É importante também que a criança entenda que você gosta daquele ambiente que ele vai lá para brincar e que haja uma parceria entre escola e família. Que você possa ter contato com o professor na entrada e saída da escola, que haja atividades para a família em dias específicos (dia da família, dia do esporte, festa junina etc). Um exemplo que eu adoro da escola do meu filho é a oportunidade de numa semana específica antes da feira do livro, as mães podem ir na classe ler um livro para toda a turminha. Dá um orgulho enorme no filho de ter a mãe ali com ele e é uma forma de fazermos pate um pouquinho do dia dele na escola, é muito especial. (Sugestão: na visita à escola, pergunte como é a comunicação entre escola e famílias – se além da agenda do aluno ou app, há momentos que a mãe possa conversar com a professora, se há reuniões individuais ou somente coletivas).

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