Descoberta dos Trigêmeos

A Talita me escreveu contando a história real dela em Janeiro. Alguns dias depois houve uma mudança no percurso da história, e internada no hospital ela enviou a continuação. Eu, que já estou completamente apegada, estou aqui enviando todas as energias positivas. Muito amor para Talita, que disse: “Vou compartilhar com você e suas leitoras a nossa história para que o medo não prevaleça quando descobrirem uma gestação, principalmente se for mais delicada.”

Meu nome é Talita e tenho 30 anos. Após meu casamento em 11 de Junho de 2009, meu marido e eu decidimos que 2011 seria o ano de encomendarmos um herdeiro. Fizemos uma viagem ao Chile e logo em seguida eu deixei de tomar remédio. Conversamos com o meu médico e ele disse que gravidez planejada é simples: finda-se o uso do contraceptivo e inicia-se o uso de polivitamínicos (Ácido Fólico).

Todos os amigos e familiares diziam que iria, no mínimo, uns seis meses até eu engravidar por conta do tempo que usei contraceptivo, mas quando temos a certeza de que é Deus quem toma conta desse propósito não demorou dois meses para eu engravidar. Foi fazer tabelinha e na primeira tentativa do período fértil: BINGO!
Nunca fiquei tão feliz em ter um atraso na menstruação, rs! Resultado positivo nas mãos, retornamos ao médico. O primeiro ultrassom e junto a explosão de amor, carinho, esperança e medo: trigêmeos!! “Como assim, doutor, três bebês?”, eu perguntei. E eu chorei o primeiro ultrassom inteirinho enquanto meu marido não falava nada e não tirava os olhos do monitor. A primeira meia hora não conseguimos assimilar a novidade, mas depois foi uma explosão de alegria, orgulho, satisfação e agradecimentos à Deus pela benção concedida. A família ficou sem acreditar, até verem o ultrassom impresso e gravado. E a partir daí estamos vivendo em plena felicidade.


Um desafio foi achar opções de carrinho de passeio para trigêmeos, pois não é muito comum no Brasil e é preciso importar, não há fabricação por aqui. Depois de muitas pesquisas e conversas com mamães de gêmeos, chegamos a conclusão que o melhor seria comprar o enxoval de acessórios nos EUA. Porém, mesmo assim foram dois carrinhos: um unitário e um de gêmeos.

A parte mais difícil mesmo até agora, quinto mês de gestação, é esperar pelas consultas médicas e os exames de ultrassom para descobrirmos os sexos dos bebês, ver como eles estão se desenvolvendo, imaginar como serão seus rostinhos e suas vidas quando estiverem fora da barriga. Mas o mais gostoso é pensar nos detalhes: enfeite de porta de maternidade, qual maternidade eles irão nascer, lembrancinhas aos amigos e parentes que forem visitá-los, as cores das roupinhas, decoração do quarto. E senti-los mexendo e crescendo dentro da barriga… momentos de plena emoção!!

Diante de todos os medos, a ansiedade e o “não saber como será daqui em diante” só temos uma certeza: é muito bom esperar pelos trigêmeos, pois em nossa vida tudo é dádiva de Deus e estamos muito felizes em termos o privilégio de enfrentarmos juntos d’Ele esses novos desafios que apareceram em nossas vidas.

Porém, algumas complicações e imprevistos podem acontecer. Uma gestação trigemelar é mais sensível e delicada, a pressão que os bebês provocam no útero pode gerar um trabalho de parto prematuro e uma internação com acompanhamento médico até o final da gestação. No meu caso, com quase 22 semanas de gestação (5 meses) entrei em trabalho de parto prematuro, os bebês eram grandinhos para o período gestacional.

Após algumas horas no centro cirúrgico, dois bebês nasceram: Pietra e Valentina… mas a parte mais dolorosa ainda estava por vir. Durante o percurso de casa até o hospital em trabalho de parto e com dilatação total, a primeira bebê permaneceu encaixada no canal vaginal e não houve oxigenação necessária para que ela sobrevivesse até receber todos os cuidados necessários ao nascer. Quase uma hora depois nasceu a Valentina e foi possível receber todos os primeiros cuidados. O terceiro bebê permaneceu no útero após uma intervenção cirúrgica que costurou o colo do útero e com o uso de medicamentos para inibir as contrações e eu não permanecer em trabalho de parto.

Mas com menos de 24 semanas os órgãos internos dos bebês não estão todos formados e resistentes, sendo os pulmões o mais importante nesse momento. Então, por conta de uma prematuridade extrema a Valentina não resistiu e após uma parada cardiorrespiratória tornou-se um anjo e retornou para próxima de Deus e da irmãzinha Pietra.

O terceiro bebê é um menino: Thomas!! Estou internada em unidade semi-intensiva para acompanhamento do seu desenvolvimento e, ao completar 24 semanas, iniciaremos o uso da injeções para acelerar a maturidade dos pulmões dele e caso ele resolva nascer prematuro tenha mais chances que suas irmãzinhas.

É triste frustrar as nossas expectativas por conta de imprevistos que a vida nos faz passar. Mas a fé em Deus e a confiança em nossa capacidade de superar esses desafios nos fazem ter a força necessária para continuar nessa jornada.

Mamães, todos os enjôos, as noites sem dormir, as dores no crescimento da barriga, o nariz entupido que parece não desentupir nunca, as fomes repentinas, os desejos e vontades, os quilinhos há mais… tudo isso vale à pena, pois a recompensa depois não tem valor material nenhum nesse mundo que pague. E olhe que eu já digo pela experiência de gerar três de uma só vez, rs.

Um beijo dos papais de primeira viagem, Talita e Rafael.

Envie sua história real, foto, nome da mamãe, papai e filhote para real@vestidademae.com.br

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