Pais e filhos em: “a hora de se vestir”

Apesar de muitas vezes ser encarada como só mais uma parte da rotina, a hora de se vestir, assim como a de brincar, tem papel importante no desenvolvimento das crianças. Elas amadurecem e começam a mostrar sua autonomia desde o ato de colocar e tirar as pecinhas de roupa sem a ajuda dos outros – que mostra um avanço nas habilidades -, até quando usam a criatividade para combinar looks favoritos e, principalmente, quando adquirem noções saudáveis de consumo. Para entender o papel dos pais nessa jornada, entre erros e acertos, conversamos com três empresárias e mães que atuam no segmento da moda infantil. Elas contam formas de conciliar o desejo dos pais com o dos filhos e dão outras dicas criativas que garantem uma relação saudável com os pequenos quando o assunto é a moda.

Escolha feliz para os dois lados
Geralmente a partir dos dois anos a criança começa a querer opinar sobre o que vestir, mas não é preciso se preocupar se o pequeno não tiver interesse – isso varia de acordo com a personalidade de cada um. “Sou mãe de duas crianças, um menino de seis anos e uma menina de dois. Posso dizer que ambos são muito, mas muito diferentes. O mais velho até hoje não se veste sozinho, não decide e nem quer discutir o que vai vestir, por outro lado, a menina com 1 ano e meio já escolhia seus sapatinhos, era sempre a mesma camiseta pink com a estampa do My Little Poney”, conta a empresária Elisa Baek, à frente da marca infantil My Fave. Quando mãe e filho estão em desacordo sobre o look – seja porque ele não é adequado para a ocasião ou mesmo para o clima, por exemplo – não é necessário vetar a escolha da criança de forma radical. Existem maneiras criativas para chegar à vestimenta adequada sem desmotivar a autonomia do pequeno. “O ideal é fazer a criança escolher dentro das opções que você dá a ela. Vou dar minha opinião pessoal: para minha filha, procuro colocar sempre dois looks para que ela escolha, e ai não tem negociação, mas todo domingo ela pode escolher seu look. Ai já viu, este dia ela pode aparecer de cinderela, de galocha, toda de rosa, mas é o dia dela. Acho importante ela também saber fazer suas escolhas, ir aos poucos moldando sua personalidade”, conta Natália Massi, que toca com a irmã Julia a marca Jouer.

Conduta dos pais X conduta dos filhos
Sobre a relação entre pais e filhos na hora do consumo, a empresária Renata Vampré, da marca It Babies dá a sua opinião: “Vejo perfis bem diferentes na maior parte das vezes. Existe a mãe que sai sozinha de forma objetiva e compra o que realmente precisa, a mãe que leva a criança para fazer compras e deixa a criança dominar, chegando a perguntar para um bebê de um ano se ele gostou ou não, qual cor prefere e ainda obedece qualquer resposta aleatória como sendo a escolha do bebê. E, outras vezes, pior ainda, quase obriga a criança a querer alguma coisa”. Enaltecendo o ato de comprar, os pais passam para a criança a noção de aquele é uma atividade extremamente importante, o que pode torná-la no futuro um jovem ou adulto consumista. Como grande exemplo dos filhos, os pais devem mostrar aos pequenos que eles não podem e nem precisam levar tudo o que querem e, principalmente, que aquela não é a maior diversão que uma criança deve ter. Com a rotina exaustiva de pais, o que muitas vezes os torna ausentes, tentar compensar dessa forma é um dos grandes erros.

Mais dicas das profissionais:
Formal x informal:
Normalmente, na minha experiência de mãe, sempre busco entrar em um acordo. Se a ocasião exige um look mais elegante como por exemplo, um casamento, minha filha vai toda arrumadinha para a festa, mas levo aquela roupa que ela teria escolhido e que provavelmente é mais colorida ou mais confortável para ela trocar e usar depois de tirar algumas fotos. Vira um processo de ganha-ganha: eu fico feliz e ela também!”, conta Elisa, da My Fave.

Negocie:Aqui na loja, vemos muitas mães conversarem com as filhas sobre não poder levar tudo o que elas querem.  O que acho mais interessante neste caso é a negociação que acaba surgindo. Como mãe, acho importante ensinarmos nossos filhos a dialogar e negociar.  Sem querer, acabamos ensinando eles a pensar sobre suas escolhas”, fala Natália, da Jouer.

Sobre valores: Vivemos numa sociedade altamente consumista, na qual muitos pais trabalham intensamente e tentam compensar a falta de tempo com presentes. Ao invés de ensinar o consumo consciente, criam necessidades para os filhos e incentivam o querer sem perceber que estão entrando numa cilada. A criança se acostuma a pedir e não aprende a dar valor. Acho que o ato de comprar não deveria ser tão valorizado, a criança não precisa estar presente em todo passeio ao shopping. Aproveitem o tempo livre e juntos para brincar, conversar, olhar no olho. Com certeza pequenos momentos divertidos vão marcar muito mais do que qualquer brinquedo ou roupa! A infância voa e quando passar não terá dinheiro no mundo que a compre de volta!”, aconselha Renata, da It Babies.

Relações profissionais

It Babies – itbabies.com.br

Jouer – jouer.com.br

My Fave – myfave.com.br

 

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