Parto Normal Humanizado de Gêmeas

Pra contar sobre a espera mais linda e o dia mais incrível e emocionante da minha vida, preciso voltar um pouquinho no tempo: Poucos meses após meu casamento li o relato de parto da Bia Câmara aqui no blog,chorei de emoção. Era isso que eu queria pra mim! Mandei um email pra ela pra saber mais sobre esse universo, e ela me respondeu com diversos links, textos e muita informação sobre o sistema obstétrico brasileiro. A cada clique um susto com a realidade e a vontade de fazer diferente.

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O tempo passou, e veio o desejo de tentar engravidar. Já no primeiro ciclo de tentativas: positivo! Era dia 05/07/2013, meu aniversário, e eu estava prestes a receber o maior presente da minha vida. Poderia ser como nos outros anos, poderia ser uma sexta-feira comum, mais um dia frio e ensolarado de inverno, mas uma bateria de exames no meio da manhã mudaria qualquer plano futuro. Mesmo vendo na minúscula tela do ultrassom, era difícil acreditar: eu estava mesmo grávida.

Exame de sangue, só pra garantir! Ufa… Esse tal hormônio aumenta rápido mesmo. Gêmeos? Não, tinha uma bolinha só na tela do ultrassom, juro pra vocês!

Marquei retorno ao médico, com muito medo, pois nesse período havia tido um sangramento, e ele pediu que repetíssemos a ultrassonografia, já que na primeira ainda não tinha sido possível visualizar o embrião e os batimentos cardíacos. Como dormir até o dia do exame? Num passe de mágica, todos os medos sumiram. Mãe sempre sabe, mãe sente. Tudo estava bem… Tudo estava bem, em DOBRO!

E a Casa de Parto? E um Parto Domiciliar? Ah! Filhos sempre vem pra mostrar quem é que manda.

Tudo que eu havia lido e planejado parecia ir por água abaixo. Se já é difícil parir um bebê, o que eu faria com dois? A primeira pessoa que pensei quando vi dois corações na tela foi a Bia (rs),só ela poderia me indicar um bom caminho a seguir.

Vamos à luta, precisamos de um obstetra que respeite nosso desejo de um parto o mais natural possível. E como foi longa essa busca. Encontramos mais que uma obstetra, um anjo: Dra. Dolores Nishimura, que nos acolheu e respeitou nosso tempo e nossas escolhas. (Podemos contar nos dedos os obstetras que realmente acompanham partos normais de forma respeitosa e sem intervenções desnecessárias).

Logo após a descoberta da gravidez o filme “O Renascimento do Parto” estreou nos cinemas, e foi importantíssimo ter ido assistir. Muitas vezes nem imaginamos que estamos totalmente a mercê de um sistema obstétrico cruel. As reuniões no GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) também foram fundamentais. Pouco a pouco íamos desfazendo os mitos e achismos que cercam uma gravidez gemelar.

E assim as semanas foram passando… Quantos dias felizes! Não havia dor, enjôo ou desconforto maior que a alegria de gestar duas bebês. Minhas meninas sempre me deram certeza de que tudo daria certo, apesar de alguns palpites contrários. A cada semana completada a sensação de alívio. Chegamos a termo. Ufa! As contrações já eram frequentes, e a vontade de conhecer minhas meninas era enorme!

Quarta-feira, 19/02/2014, exames logo cedo… Opa, tem um monte de contração aí. Segue a vida, deixa que venham! A hora delas estava mesmo chegando.

Anoitecia… E com a madrugada veio o ritmo tão esperado das contrações. Liga pra doula, que não tá fácil não. A minha doula foi a Natália Rea Monteiro, a mesma da Bia. Ela foi fundamental em toda gestação e parto; veio pra minha casa de madrugada e me ajudou a entender e enfrentar todo trabalho de parto. Bola, chuveiro, respira…. Dormir era impossível.

06:00, 20/02/2013, vamos pro hospital antes que o trânsito fique caótico. Ah, já estava!
Respira, respira, respira….
E chegando ao hospital, é difícil lembrar com clareza a ordem dos fatos.
As dores eram intensas.  Uma analgesia, pelo amor de qualquer santo.

Ufa! Agora era possível pensar. Não era o plano, mas quem disse que parto tem roteiro? A analgesia foi feita com 6 cm de dilatação, após 19h da primeira contração dolorida. Eu estava exausta, e foi o alívio que precisava pra seguir firme no trabalho de parto.
As dores continuavam, de forma bem mais suportável, mas ainda intensas, pra não me deixar esquecer do estava fazendo ali. Só dependia de nós três!
As horas corriam… Lá pras 22:00 e pouco a primeira vontade de fazer força.
Agacha, senta, rebola, respira…. Ai ai, elas queriam mesmo nascer na sexta-feira!
As contrações quase não tinham intervalos. A cada contração podia sentir o movimento de descida das minhas bebês. Nosso corpo é incrível: simplesmente sabe o que tem que fazer e faz.

00:00, 21/02/2014…. Vamos para a banqueta de parto. Força, respira, força! Eu não podia imaginar que era tão forte!

00:17… Carolina chegava, com seus olhos bem abertos, querendo conhecer esse mundo que tanto a esperou. Veio direto para o colo da mamãe, onde ficou por vários minutos.
E força de novo, ainda tem mais uma bebê pra parir.

00:39… Clara nascia, empelicada (dentro da bolsa – sinal de boa sorte em muitas culturas), e assim também veio direto para o meu colo.

Não foram levadas para longe de mim nas suas primeiras horas de vida. Papai cortou os cordões quando pararam de pulsar. Não foram aspiradas, nem tomaram nenhuma injeção. Não tiveram seus olhos ardendo por conta de um colírio desnecessário.
Foram respeitadas no momento mais importante de suas vidas.
Foram acolhidas com amor e carinho por uma equipe que trabalha a luz das melhores e mais recentes evidências científicas.
Tenho orgulho em dizer que sim, nós conseguimos. E não foi por sorte ou simples acaso.
Conseguimos porque lutamos para isso, buscamos informações, sabíamos o que era melhor, e acima de tudo, não passamos a responsabilidade desse evento pra ninguém! 
Meu corpo, minhas escolhas!
Nós superamos muitos mitos. Superamos a prematuridade, o baixo peso, o parto normal, a uti, a amamentação exclusiva… De certo, ainda teremos muitos outros pela frente… E passaremos novamente por todos eles, com amor!

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