A Experiência da Amamentação

Por: Camilla Antunes

Sempre tive dúvidas se conseguiria amamentar. Sou da geração Nestlé, em que a amamentação era pouco incentivada e as mamadeiras eram insanamente engrossadas com maizena. Também tenho seios pequenos, o que me dava a impressão de que não conseguiria armazenar a quantidade suficiente para alimentar uma criança. No entanto, descobri que muito do que pensava era mito e que a determinação é o principal pré-requisito da amamentação. E eu queria muito viver essa experiência.

O parto normal seria o melhor método para facilitar a produção de leite. Nele, a placenta já está pronta para o nascimento do bebê e os hormônios, equilibrados, facilitam a descida do leite. Já na cesárea marcada, esse processo não ocorre. Quase sempre a placenta não está pronta, os hormônios não entendem o que está acontecendo e a produção inicial do leite fica prejudicada. Infelizmente, o parto normal era uma possibilidade distante. Logo, descartei a cesária marcada.

Procurei uma maneira de amenizar os efeitos negativos que a cirurgia poderia trazer. Insisti com meu médico que não queria marcar a cesária. Fiz uma série de exercícios direcionados para facilitar o trabalho de parto na minha ginástica para gestante (coincidência ou não, todas as vezes que fazia esses exercícios sentia contrações mais fortes). Também conversei com o pediatra e combinamos que ele colocaria o Davi para mamar ainda na sala de parto. Essa medida também facilita a descida do leite e proporciona a emoção de ter seu filho tão pertinho de você logo após deixar o calorzinho da barriga da mamãe.

Por último, chamei uma consultora em amamamentação no dia seguinte ao nascimento do Davi. Esse serviço deveria ser oferecido por todos os hospitais mas infelizmente não é bem assim que funciona. A Fabiola Costa, que também é doula, foi fundamental no período inicial do aleitamento. Ela corrigiu a pega do Davi, examinou as mamas e me deu toda segurança e apoio necessários para continuar no meu propósito. Sem falar nas dezenas de dicas por telefone nos meus primeiros dias de mãe.

No mais, procurei manter uma dieta balanceada e bebi muita, mas muita água. A água é o combustível fundamental para o aleitamento. Estabeleci uma meta de beber no mínimo seis litros por dia, principalmente enquanto estava amamentando. Aqui a família pode ajudar bastante. Era só o Davi começar a mamar que o Leandro, meu marido, vinha com os copos de água.

Hoje, o Davi já vai fazer dois meses e nunca precisou tomar nenhum complemento. As perninhas estão começando a ficar rechonchudas e em todas as visitas ao pediatra só recebemos elogios. É a certeza de que todo esforço valeu muito à pena.

(qualquer dia a gente fala sobre os esforços para amamentar. Com a amamentação, confirmei o velho e sábio ditado: ser mãe é padecer no paraíso)

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