Bebê Prematuro e Superação

Hoje temos a história da Flávia Gurgel e da vitória do filho Felipe, que nasceu prematuro. Na verdade muito mais do que uma história real, e sim uma lição de vida. Além do lindo texto abaixo, ela compartilhou toda a história dele no Blog do Felipe.

Oi Mães, Tudo bom?
Depois de pouco mais de um ano e meio, resolvi compartilhar com vocês um pouco da minha história com meu segundo filho. Meu nome é Flávia, tenho 32 anos, sou casada há 06 anos e tenho uma filha, a Carol, de 04 anos. A Carol nasceu dia 06 de março de 2008, de 40 semanas, linda, saudável, com quase 3 kg. Depois de 2 anos, eu e o Léo, meu marido, resolvemos dar um irmão ou irmã para ela. No dia 15 de fevereiro de 2010 veio a GRANDE notícia: eu estava grávida! Descobrimos que o bebê era o Felipe e que ia nascer dia 23 de Outubro de 2010. Um detalhe: como trabalho com casamentos, eu tinha mesmo programado para que ele nascesse depois do meu período de mais festas, Setembro e Outubro, e dia 16 de outubro, seria meu último casamento, onde eu estaria de qualquer jeito! E também não queria que ele nascesse de leão nem de escorpião (sou leonina e sei como sou difícil e tenho pai e irmão de escorpião e sei como é complicado também).  Enfim, estávamos nas nuvens!

Dia 12 de junho de 2010, na abertura da Copa do Mundo, meu irmão casou e, claro, eu que organizei! Estava linda, grávida, a Carol, com então 2 anos e pouquinho foi a daminha, mas na hora das fotos, tive um sangramento. Continuei no casamento e o médico me pediu repouso, mas o sangramento não diminuiu e ainda vieram as cólicas. Dia 16 de junho de 2010, eu então com 5 meses, fui fazer ultrassom e estava com um nível hiper baixo de líquido amniótico! Resultado: fui internada na hora (na hora não porque no São Luis tudo demora, e mesmo eu na situação que estava, demorei 8 horas para ser internada). Quando fui internada, minha médica falou para mim que eu só sairia do hospital quando meu filho nascesse! Na minha cabeça? Vou ficar 4 meses aqui! Socorro! E fui internada, colocaram soro nas minhas veias (para repor o líquido) e fui fazendo exames. Em 1 semana, me viraram de cabeça pra baixo, vieram médicos de todos os locais e especialidades, enfim, tinha tido ruptura de bolsa, sem nenhum motivo (até hoje não se explica isso e só chegamos a essa conclusão por eliminatória – não era placenta prévia, nem colo do útero curto e ufa, nem problema com o rim do bebê). Resultado: tive que ficar 2 meses internada em repouso, só podia levantar para ir no banheiro e tomar banho. Vocês imaginam? Eu, super ativa, com uma filha de 3 anos prestes a entrar de férias, noivas, trabalho… E agora?

Bom, aí que vem a lição de vida (modéstia a parte): comprei máquina de café, forninho elétrico, fazia até supermercado delivery, pedia canapés para um dos meus buffets parceiros, brigadeiro para minha doceira preferida, flores para a decoradora com quem eu trabalhava… criei uma casa com escritório no São Luis. Simplesmente adaptei a minha rotina: tinha meu computador, trabalhava, fazia reunião uma vez por semana com a minha gerente, fazia drenagem 2 vezes por semana, terapia uma vez (a minha terapeuta ia lá), minhas manicures iam uma vez por semana fazer pé, mão, escova e depilar, tudo. Meu marido ficou do meu lado o tempo todo, me ajudando, apoiando, ouvindo meus ataques de choro. Minha mãe mudou para perto de casa para poder me ajudar com a Carol e ela e o Léo, junto comigo, foram verdadeiros heróis! Eu via a Carol 1 vez por semana, quando eu tirava o soro, pedia brinquedos on-line e ficava com ela tomando chá, brincando e vendo filmes. Além disso, eu pedia comida de todos os restaurantes, meu pai mandava o motorista me entregar, além dos deliverys (a minha dieta era totalmente liberada). E ainda fiz um kit banheiro, com cremes, sabonetes e óleos deliciosos, meu marido comprou até edredom para eu me sentir melhor. E mais: eu não tinha horário para acordar, fazia fisioterapia com as fofas do hospital, mudei para um quarto que tinha varanda (onde quando dava eu tomava sol); fiz um chá de fralda por fim de semana (cada domingo eram 8 amigos – durou 4 finais de semana – era meu jeito de fazer o domingo passar), chamei a fotógrafa que tirou as fotos da Carol para fazer meu ensaio lá, e até fondue (meu irmão me deu uma panela elétrica) eu fiz, com direito a uma taça de champanhe liberada pelo médico. Os outros 2 heróis aí foram o meu médio, Dr. Aldrighi, que ia todo dia me ver e falar para eu acreditar em Deus. E o Dr. Adolfo, que fazia ultrassom toda semana e me dava palavras e amor e incentivo! Fora as heroínas das enfermeiras e da Dra. Ana Paula, filha do Aldrighi, que foi quem me internou.

Mas a questão é que desde o dia em que eu fui internada, o Felipe podia nascer  e provavelmente nem sobreviveria. Ele não tinha nem 350g quando cheguei no hospital, a luta era para passarmos de 25 semanas, tentarmos chegar em 28 e ele completar pelo menos 1 kg na minha barriga. O quarto dele, meu marido foi arrumando e tirava foto para eu ver, as roupinhas (antes de tudo, tínhamos ido fazer o enxoval na Disney) ele levava para o hospital para que eu pudesse arrumar. Bom, sabíamos que ele nasceria pré-maturo (mais de 32 semanas já era risco para mãe também) e começamos a correr atrás de roupinhas e tudo mais, mas aí vinham as notícias: ele vai ter que ficar na incubadora, você não poderá amamentar, ninguém (só os pais) poderiam vê-lo na UTI, você vai ter que tirar leite e por aí vai… UFA!

E chegamos em 30 semanas! O Felipe completou 1.300 kg na minha barriga e no dia do meu aniversário, dia 14 de agosto de 2010, entrei em trabalho de parto (com 30 semanas e 3/4), esperei até a troca de plantão (da madrugada para a manhã – a essa altura, conhecia e era amiga de todas as enfermeiras e sabia quem eu queria que tivesse comigo naquele momento). E eis, que as 11h30 da manhã, chega o Felipe, com seu mesmo 1.300 Kg, signo de leão, ascendente em escorpião! Um guerreiro!

E aí, veio a outra luta! Mas essa tinha coisas boas: voltei para casa, matei a saudade da minha filha e da minha vida! Aluguei máquina para tirar leite e tirava de 3 em 3 horas, visitava o Felipe todo dia e cada dia era uma vitória, nunca passou pela nossa cabeça que ele não ia sobreviver, às vezes ele piorava, às vezes melhorava, crescia, ganhava peso, perdia peso, ele teve toda as complicações possíveis (só não precisou passar por cirurgia). Nisso, conheci outras mães, vi mil casos e descobri que a UTI é um mundo a parte, onde cada 100g era comemorada como se fosse uma alta. Até que dia 02 de outubro, pude pegar ele no colo pela primeira vez! Ele tinha saído da incubadora depois de 50 dias, e pude amamentar, e tinha leite (coisas de Deus e da natureza).

E dia 26 de Outubro de 2010, o Felipe teve alta, com 2.800 kg…
Hoje? Ele tem 1 ano e 7 meses, é um bebê lindo, esperto, independente, não teve nenhuma sequela, nada… o que eu tenho pra dizer? ACREDITE! Apenas acredite!

Ah! E durante todo esse tempo (2 meses e meio de UTI) consegui fazer todos os meus casamentos, consegui colocar minha vida e minha casa em ordem, arrumar e conhecer o quartinho dele e preparar ele pra chegada em casa! Hoje, ainda tento recuperar os quilos ganhos no hospital e nunca mais sonhar com o que aconteceu, a custa de muita terapia, muito amor do meu marido e dos meus dois filhos!

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