3 Meses de Vida

Por: Camilla Antunes

Essa semana Davi fez três meses. Confesso que estava ansiosa por isso. E só quem tem filhos sabe do que estou falando. Como uma boa mãe de primeira viagem achava que tudo seria tranquilo na licença maternidade. Planejava colocar muitas coisas em ordem na vida e aproveitaria para descansar um pouco depois de uma temporada intensa de final de ano, em que precisei de disposição para conciliar muito trabalho com a organização da casa para a chegada do Davi. DOCE ENGANO! Bebês dão muuiiitoooo trabalho e precisam demais da nossa atenção. Logo, fui exclusiva do Davi durante um bom tempo.

Nos primeiros dez dias de vida dele vivemos no céu. Ele era mega calmo, só dormia e mamava, ficava sozinho no berço e não dava nenhum trabalho. Mas bem que o pediatra nos avisou que não seria para sempre assim na primeira visita, quando ele tinha apenas seis dias. No décimo primeiro dia tudo mudou. Ele tomou as primeiras vacinas e começou a sentir as temíveis cólicas. Neste mesmo período, eu tive uma mastite (inflamação de glândulas mamárias muito comum durante a amamentação) que ocasionou uma febre intensa e muitas dores no corpo.

Junto a tudo isso ainda tinham os hormônios à flor da pele, típicos do pós-parto. Eu chorei, chorei muito, rios de lágrimas. Tudo fica muito intenso nesse período e nós, mulheres, muito mais sensíveis do que naturalmente somos. Qualquer gota vira uma tempestade e nós só temos vontade de chorar. E o pior: parece que nunca vai passar.
Mas Deus é tão bom que junto com toda essa cruz para carregar nos envia o que de melhor uma pessoa pode ganhar: um filho. Em todos os meus momentos de desespero, eu olhava para ele, agradecia por tê-lo pertinho de mim, respirava fundo e seguia em frente. Sabia que o Davi precisava de toda minha calma, paciência  e amor porque para ele também não estava sendo fácil.  Deixou o conforto da barriga para encarar um mundo de descobertas, onde até respirar dói. Então, o que era a minha angústia hormonal diante da mudança de mundo dele?

E assim os dias passaram. E junto com os dias, tudo passou. As cólicas foram embora no segundo mês, nós aprendemos a identificar o choro dele, ele passou a tirar mais sonecas durante o dia, deu os primeiros sorrisos, está começando a gargalhar, mama super bem e eu a cada dia me lembro menos dessas adversidades iniciais. O nosso amor por ele só cresce junto com a certeza de que as dificuldades são bem menores do que a felicidade.

Relações profissionais

CONVERSE COM A GENTE