Bia + Paulinho = Bento

A Bia conta pra gente toda a experiência dela com o parto natural. Texto emocionante!

Eu sou uma das leitoras do Vestidade Noiva que teve o casamento publicado por lá e agora estou vivenciando o momento mais incrível da minha vida: acabei de me tornar mamãe! Assim como o meu casamento fugiu do tradicional, o meu parto foi bem diferente do que costuma ser comum aqui no Brasil: foi um parto natural e na água! Atualmente é comum ouvirmos muitas mulheres com medo da dor quando se menciona o parto normal. Quando a gente menciona que quer o parto natural (natural: via vaginal e sem anestesia), as pessoas costumam achar que é caso de loucura! Rs! Mas eu juro que não sou louca! E que não e loucura, não!

Na verdade, eu nunca me imaginei tendo um filho através de uma cirurgia e foi por isso que escolhi o parto natural. Mas optei pelo parto na água, já que a água possui propriedades terapêuticas, o que ajuda a aliviar as dores. Aqui no Brasil é bem raro conseguir um parto na água sem que o mesmo seja domiciliar.  Pois é, existem alguns médicos que fazem este tipo de parto em casa (eles levam até a “banheira” para a casa da futura mamãe), mas é um serviço bem caro e ficava fora da minha realidade no momento.  Já em hospitais, conseguir este tipo de parto dentro de um é bem difícil! Muitos hospitais possuem as salas de parto natural com banheira, mas não permitem que o bebê nasça de fato dentro dela! Deixam a futura mamãe ficar nela até a hora do bebê nascer, mas nesta hora tiram a mamãe de lá. Neste caso, a gente fica dependendo do obstetra e de um pouco de sorte. E eu realmente tive muita sorte! Foi complicado porque achar um médico que fizesse o parto natural pelo convênio foi um martírio! Mas com a ajuda das pessoas certas, consegui encontrar o meu obstetra.  Depois foi a hora de procurar uma doula.  Para quem não sabe, as doulas são pessoas treinadas para fornecer apoio físico e emocional durante o trabalho de parto, e no caso de um parto natural, elas fazem toda a diferença! Eu fui conhecer a minha doula algumas horas antes de entrar em trabalho de parto. Tive uma reunião com ela na quinta à noite e na sexta de madrugada, cinco e meia da manhã, tive a primeira contração! Acho que depois de conhecê-la, fiquei me sentido preparada e protegida para vivenciar e parto e ele logo começou!

Quando tive a primeira contração (parecia uma cólica forte) não acreditava que já pudesse ser o trabalho de parto de fato. Fiquei meio confusa e esperei. Dez minutos depois veio de novo… e mais dez minutos, outra! Aí acreditei que fosse e acordei o Paulinho, meu marido, que deu um salto de dez metros de altura! Expliquei pra ele que tínhamos que cronometrar os intervalos das contrações e neste momento elas já aconteciam de cinco em cinco minutos! O Bento estava chegando!!!

O Paulinho ligou pra Natália (a doula), que o orientou a me colocar no chuveiro! Santo remédio! A água realmente faz milagres! Dentro do chuveiro as contrações doíam bem menos (quando eu estava fora dele, apertava tanto os braços do Paulinho que até deixei marcas das minhas unhas nele!). Enquanto eu comia umas frutinhas (no parto natural podemos comer e  beber normalmente), o tempo foi passando e lá pelas nove da manhã a Natália chegou em casa. Eu estava sentada num banquinho, dentro do chuveiro. As contrações vinham de três em três minutos! Como a Natália também é enfermeira obstetriz, ela fez um exame de toque e viu que eu já tinha 5 cm de dilatação.  Decidimos então ir para o hospital, pois o meu trabalho de parto estava sendo rápido, considerando que era tudo natural, sem nenhuma droga para acelerar seu acontecimento.  Quando chegamos ao hospital Santa Catarina, eu já estava perto da dilatação total e quase o meu filhote nasce antes do meu obstetra chegar! A sorte foi que eu já cheguei falando que queria tudo natural e eu estava tão determinada que o plantonista do hospital decidiu que se ele fosse fazer o meu parto, ia acatar meu desejo e fazê-lo na água,  já que era uma grande vontade dele e ele nunca havia feito dentro do hospital. Foi até engraçado porque todos ficaram sabendo do parto na água e meu parto foi assistido por um monte de enfermeiras que queriam ver como era!

Dentro da banheira da sala de parto natural do hospital, as contrações deram uma espaçada, porque eu relaxei bastante e então, quando o meu médico chegou, ele me orientou a ficar em pé só por duas contrações para o bebê encaixar, porque eu estava tão relaxada que não conseguia fazer a força suficiente… Fiquei em pé e aí ele realmente encaixou (mas a dor triplicou)! É incrível porque o corpo faz todo o trabalho sozinho!  Deitei novamente (Ufa! A água ajuda demais na administração da dor…) e fiz mais uma pouquinho de força… neste momento o corpo automaticamente deixa as contrações praticamente juntas e a gente sente que tem que empurrar.

E então veio o momento do “círculo de fogo”, que é quando o bebê coroa e a gente sente uma grande queimação… é a hora dele nascer! Mais uma forcinha e o Bento nasceu! Lindo! Na água! E veio direto para o calor do peito da mamãe! Nós ficamos abraçadinhos por vários minutos antes do papai cortar o cordão umbilical. Tudo com a luz baixinha e ao som de músicas (na sala de parto natural tem até aparelho de som), bem diferente de uma cesárea. Até o Paulinho, que sempre tinha arrepios pensando em partos, achou a coisa mais linda do mundo!

No parto natural, o bebê realmente nasce no tempo dele, num ambiente que é bem menos assustador e nós, mamães, nos sentimos vitoriosas por conseguir fazer tudo sozinhas!

Assim que o Bento nasceu, a dor passou. E na manhã seguinte, eu já estava sozinha fazendo escova no banheiro para receber as visitas! Rs! Também permitiram que eu o amamentasse na primeira hora de vida, o que é raro em hospitais, normalmente eles levam o bebê pro berçário e ele só mama algumas horas depois.

Enfim, não vou mentir dizendo que o parto natural não dói… dói sim! Mas é uma dor misturada com expectativa, é uma dor diferente…  Se antigamente as mulheres aguentavam, por que não aguentaríamos? Acho ótimo os avanços da medicina que permitem que casos complicados sejam resolvidos por uma cesárea! Existem casos onde só a cesárea pode fazer o bebê nascer em segurança! Mas infelizmente a cesárea no Brasil hoje é uma máfia… é o tipo de parto mais difundido por muitos médicos (por muitas razões, principalmente financeiras) e muitas mulheres acabam nem cogitando outra forma de parto, sendo convencidas facilmente pelo argumento de se “livrar” da dor e poder marcar a hora e o dia do parto. Dá prá entender este medo que nos foi incutido ao longo dos tempos, mas ele é superável quando a gente pensa nos benefícios de um parto natural para a mamãe e principalmente para o bebê!

Escolhi este tipo de parto porque queria que o Bento nascesse no tempo dele, sem interferências químicas para acelerar sua chegada ao mundo e foi incrível! Fazer tudo como antigamente nada mais é do que natural e fica aquela sensação de que realmente é assim que fomos feitas para fazer! Superando a dor com o amor!

Foto: Julie Asdurian

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