Chegou a crise dos dois anos, e agora? Dicas para enfrentar a fase

Todos nós já ouvimos falar no ‘terrible twos’ (ou a crise dos dois anos). O termo é usado para descrever um padrão de comportamento visto nas crianças com idade entre 18 e 36 meses, caracterizado por demandas, acessos de raiva e mau humor, gritos, o uso repetitivo da palavra ‘não’ e outras ações que costumam constranger os adultos, podendo gerar inclusive a falta de vontade de estar em público com os filhos durante o período. Muitas pessoas que torcem o nariz para crianças gritando e esperneando em supermercados ou shopping, por exemplo, pensando que se trata de mimo ou falta de educação, dobram a língua quando chega a sua vez de encarar a fase. Enquanto as crianças fazem esses tipos de birra, os pais sentem uma mistura de frustração, vergonha e raiva, por não conseguirem fazer o filho acalmar-se e por perceber o julgamento dos outros.

A Academia Americana de Pediatras descreve a fase na vida do pequeno da seguinte forma: “Para as crianças, segurar (internalizar) fortes emoções é algo difícil. Quando elas se sentem frustradas, bravas ou desapontadas, elas costumam se expressar chorando, gritando ou batendo por todos os cantos. Como pai ou mãe, você pode ficar com raiva, vergonha ou se sentir perdido. Birras são uma parte normal no desenvolvimento da criança, que está aprendendo a ter autocontrole. Quase todas têm tais comportamento entre o 1 e 3 anos de idade”.
Por que tal comportamento acontece?
As crises costumam acontecer por uma série de motivos que, na cabeça dos pais, podem não fazer sentido, mas para o pequeno fazem, sim. Quando o 2o ano de idade se aproxima, a criança passa por uma explosão intensa de desenvolvimento cerebral, que resulta em um senso inédito de independência e de preferências. A questão é que a criança ainda tem uma capacidade de compreensão limitada do que está acontecendo no mundo ao redor dela nessa fase, o que gera confusões. Se ela por si só já se sente desafiada e confundida pelas emoções que está sentindo, a compreensão de que seus pais esperam mais alguma coisa dela é praticamente nenhuma. Um mundo novo se abre para eles, que querem experimentar tudo agora, num sentimento inédito. No entanto, as noções de limites ou mesmo perigos ainda não estão claras, e, quando elas começam a ser impostas pelos pais, o resultado é impaciência, frustração, raiva, entre outros.

Dicas para enfrentar a fase
Imponha consequências razoáveis –
Se a criança inicia um acesso de raiva, deve haver alguma consequência (ponderada), como a retirada de um brinquedo por um período de tempo ou mesmo tirá-la fisicamente do local e da situação, a fim de reduzir estímulos e uma grande audiência, o que costuma ajudá-la a se acalmar. O pequeno aprenderá, com o tempo, a controlar melhor o seu comportamento.

Não se entregue e seja consistente – Se você cede às birras, então a criança vai saber que poderá conseguir o que deseja repetindo o mesmo comportamento no futuro. Agir de forma consistente é essencial na tarefa de educar. Seja consistente nas suas reações e nas consequências quando seu filho mostrar um mau comportamento.

Não tente arrumar as coisas enquanto as emoções estão à flor da pele – Enquanto as crianças enfrentam altos e baixos, eles esperam que os pais estejam lá para eles. É comum que, no meio de uma crise, os pais não sintam nenhuma vontade de segurar as crianças no colo, mas, muitas vezes, isso faz uma grande diferença. Se ele não quer ser segurado, fique por perto em silêncio e aguarde ele se acalmar, evitando a sensação de abandono.

Tente ver as coisas a partir da perspectiva do pequeno e ajude-o a identificar as emoções responsáveis por tais sentimentos – Não leve para o pessoal, seu pequeno não está fazendo birras para atrapalhar o seu dia. Elas costumam ter outras causas, como fome ou cansaço, por exemplo, ou ele só está sentindo que o mundo não está certo por algum motivo. Tentar ajudá-lo a ponderar a emoção pode facilitar o processo de lidar com as sensações quando elas voltarem. Se ele consegue identificá-la, compreendê-la, também conseguirá regulá-la.

Mantenha o controle – O grande problema acontece quando você leva o comportamento deles para o pessoal, porque você sai do papel de pai e transmite o mesmo tipo de energia negativa. Tente deixar o emocional de fora e olhar para ele como uma criança tentando entender o que está sentindo e o que fazer com tantas mudanças.

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