Conhecendo um pouco sobre o Diabetes Gestacional
Por: Dra. Camila Takase
Hoje vamos falar um pouco sobre o diabetes na gestação e suas consequências para mãe e bebê. Existem algumas situações diferentes que podem acontecer:
A paciente já era diabética (diabetes tipo 1), utilizava insulina e engravida.
A paciente já era diabética (diabetes tipo 2), utilizava hipoglicemiante oral e engravida.
A paciente descobre o diabetes na gestação.
Quando a alteração nas taxas de glicose aparece pela primeira vez na gravidez, chamamos de Diabetes Gestacional.
Essa patologia pode atingir até 7% das grávidas e quando diagnosticado precocemente, acompanhado e tratado de forma adequada, pode não trazer nenhuma complicação à gestação.
Os fatores que predispõem ao Diabetes Gestacional estão relacionados principalmente à alimentação, por isso podemos sim preveni-lo!
Pacientes que já engravidam acima do peso ou aquelas que ganharam muito peso na gravidez têm maior risco de desenvolver a doença. História familiar de diabetes ou parto anterior com bebê que pesou mais de 4 kg também são fatores de risco.
Para o rastreamento, uma glicemia de jejum sempre deverá ser solicitada na primeira consulta de pré-natal. Caso a paciente apresente algum fator de risco associado, deverá ser solicitado também uma curva glicêmica como complementação. Nas gestantes sem fatores de risco, esse exame deverá ser solicitado apenas entre 24 a 28 semanas.
Confirmado o diagnóstico de diabetes gestacional, devemos cercar a gestante de alguns cuidados especiais. O primeiro passo será encaminhá-la para controle da alimentação com profissional capacitado.
A terapia nutricional é um aliado fundamental: em muitos casos, o controle glicêmico é atingido apenas com a dieta específica! Se a gestante seguir corretamente seu planejamento alimentar, respeitar os horários das refeições, e é claro, diminuir o consumo de doces, não necessitará do uso de insulina para controle do diabetes.
A insulinoterapia fica, então, reservada para aqueles casos mais graves, e visa manter os níveis glicêmicos normais para evitar complicações para o bebê, a chamada de “fetopatia diabética”.
Para as diabéticas tipo 1 que já utilizavam insulina, apenas um ajuste da dose se faz necessário. No caso das diabéticas tipo 2 que utilizavam hipoglicemiantes oral, a troca por insulina deve ser feita pois o uso de hipoglicemiantes orais não é indicado para gestantes.
Quando os níveis glicêmicos ficam elevados, muita glicose passa da mãe para o feto, fazendo com que ele cresça demais. É comum os bebês de mães diabéticas descompensadas nascerem com mais de 4 kg, são os bebês macrossômicos!
Outras complicações que podem ocorrer são: polidrâmnio (produção aumentada de líquido amniótico), atraso na maturação pulmonar do feto, e em alguns casos até o óbito fetal.
Portanto, devemos sempre orientar a gestante da importância do controle do peso e da alimentação, na tentativa de diminuir o risco do desenvolvimento do diabetes. Isso vale também para aquelas já diabéticas, pois o controle adequado da glicemia previne inúmeras complicações para o bebê.

Tenho SOP e, por conta disso, desenvolvi resistência insulínica. Agora já normalizei minhas taxas, perdi o peso que precisava, e estou gradualmente reduzindo o uso de metformina. Por esses motivos, eu tenho maior predisposição de desenvolver diabetes gestacional?
Olá Isabella!
As pacientes com resistência insulínica tem maior chance de desenvolver tanto diabetes tipo 2 quanto diabetes gestacional. O importante é manter uma alimentação equilibrada, fazer atividade física regular e controlar o peso! Assim, normalizando os níveis de glicemia, seu risco diminui bastante!