Mitos e Crenças sobre a Amamentação

Por: Natália Vignoli

Assim que a mulher engravida, todos da família, amigos e até mesmo desconhecidos querem palpitar e ajudar. Dão dicas, falam de suas experiências e compartilham crenças sobre a amamentação e o que fazer para ajudar a futura mamãe durante esse período. A mulher acaba se sentindo pressionada e, de certa forma, preocupada em ser capaz de passar por essa etapa sem maiores complicações.

É a amiga que fala que o leite secou porque caiu no chão, é a tia que diz ter escutado que cerveja preta ajuda “o leite a descer”, é a sogra que alerta a mulher sobre o leite ser fraco e até a mãe que sugere um chazinho para hidratar o recém-nascido. A “recém-nascida” mãe mal colocou os pés na sua casa e já está com a cabeça cheia de preocupações, sem saber por qual dica começar para dar conta do recado… Calma! Vamos conversar um pouco sobre essas “crendices” que escutamos por ai!

Crença 1: “O leite materno é tão ralo… ele é fraco! Não sustenta o bebê”!

Veredicto: MENTIRA!

Essa crença é uma das principais causas da introdução de fórmulas e alimentos não indicados para o período. Isso geralmente acontece porque leite materno é comparado ao de vaca e, principalmente o colostro, é mais transparente mesmo!

Mas isso não quer dizer que o leite materno seja mais fraco do que o leite de vaca. O leite de vaca é ótimo para o bezerro, da mesma forma que o leite humano é perfeito para o bebê!

Nenhum outro alimento natural ou industrializado é capaz de oferecer todos os nutrientes e anticorpos que o leite materno possui, tampouco é capaz de proteger a criança contra tantas doenças futuras. Portanto mãe vá em frente e acredite no que você tem!

Crença 2: O leite materno não mata a sede do bebê.

Veredicto: Mentira!

O leite materno contém toda a água que uma criança necessita, mesmo se ela residir em locais de clima quente, até porque maior parte desse alimento é composto de água!

Apenas quando a criança é alimentada por fórmulas é que há necessidade da ingestão de água, caso contrário, ela não precisa de mais nada além do leite da mãe! Pelo menos até os 6 meses de vida.

Crença 3: Para aumentar a quantidade de leite, a mulher deve tomar cerveja preta.

Veredicto: Mentira!

Muitas vezes as mulheres são incentivadas a beber cerveja e, de fato, alguns estudos mostram que a cerveja estimula a ejeção de leite. Contudo, o responsável para que isso aconteça não é o álcool, mas o açúcar da cevada, presente também na cerveja sem álcool, mas essa história de cerveja e leite ainda não foi comprovada! E olha mamãe, a bebida também pode levar a um chamado “efeito rebote”, ou seja, inibe a produção de leite.

Outros estudos mostram que os bebês acabam por diminuir as mamadas quando suas mães consomem cerveja… a razão? O sabor de álcool que acabava ficando no leite!

Por último é importante ressaltar que o consumo de álcool é prejudicial tanto durante a gestação quanto na amamentação, podendo levar a problemas no transporte de oxigênio pelo cordão umbilical, problemas no cérebro, nascimento precoce, aborto espontâneo, alteração de sono e problemas no desenvolvimento motor.

Crença 4: As mães com seios pequenos não terão muito leite.

Veredicto: MENTIRA

Como conversamos no primeiro post que escrevi, a produção e ejeção do leite depende de fatores hormonais e emocionais, aos quais conseguimos dar um empurrãozinho através de estratégias como a amamentação do recém-nascido na primeira hora de vida. Agora, tamanho de seio não tem nada a ver com quantidade e capacidade de produção de leite!

Outras crenças que devemos esquecer:

– O leite da mãe não seca se cair no chão (apenas devemos secar o chão com um pano se o leite cair nele!)

– A amamentação não é uma prática herdada, ou seja, se a sua mãe não conseguiu ou não pode amamentar, não que dizer que acontecerá o mesmo com você.

– O bebê não consegue pegar o peito… Na verdade precisamos saber como facilitar, no momento do aleitamento, a posição correta da mãe e identificar a pega correta do bebê. No próximo post abordaremos exclusivamente esse assunto, já que saber como amamentar é super importante!

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