O que aprendi sobre amamentação

Esperei Nicolas completar quase 1 mês para escrever este post. Se eu tivesse escrito antes, eu não seria tão positiva – e eu não queria ser negativa sobre o assunto. Mas a verdade é que amamentar não é tão fácil, pelo menos no começo. A principal coisa que aprendi sobre amamentação para compartilhar com vocês é: é preciso pedir ajuda.

Eu me considero uma pessoa bem informada. Por causa do blog, pesquiso e recebo muitas informações. Já tinha lido muito sobre amamentação, em especial recentemente a série de posts da nutricionista e mamãe Natália Vignoli aqui no blog, bem completos. Já sabia tudo sobre livre demanda, sobre posições de amamentação, a importância da pega certa do bebê etc. Mas na teoria é uma coisa, na prática é outra.

Começando do começo: na maternidade foi tudo perfeito. Meu bebê veio para meu colo logo após o nascimento e ficou um bom tempo comigo. Após os procedimentos do pediatra, fomos para uma salinha para a primeira amementação, foi lindo e tranquilo. Eu já sabia que naqueles dias não teria o leite e sim o colostro – mas em relação à mamada, estava super tranquilo, não sentia dor nenhuma! As enfermeiras que me atendiam no quarto comentaram que meu bebê estava fazendo a pega correta. Até aí estava mil maravilhas.

No dia seguinte que vim para casa, o meu leite desceu. Haviam me falando que meus peitos iriam crescer mais, mas eu não tinha acreditado, já achava que eles estavam enormes. Cresceram tanto que eu me sentia um misto de garota pornô (rs! Pelo tamanho dos seios!) com vaca leiteira. Era tanto leite que pingava pela casa inteira. Eu deixa rastro por onde passava. Sujei todos os meus pijamas e camisolas de leite. Nenhum dos 4 sutiãs que eu havia comprado para amamentação serviam… Bom, eles serviam, mas apertavam muito, me incomodavam, precisei comprar outros. Foi um fim de semana horroroso em que eu estava me sentindo a mais feia das mulheres e com muita dor com aqueles peitos enormes.

Meus seios ficaram tão grandes e duros que imagino que eram difíceis para o pequeno Nicolas abocanhar. Não entendia como diziam que não era para abocanhar somente o bico e sim a aureola – no meu caso só cabia mesmo o bico na boquinha do Nicolas, de tão grande e duro que o peito estava. Consequência: causou ferida no bico. Uma super ferida, sentia que estava em carne viva.

E a partir daí tudo ficou difícil. Eu estava firme e forte querendo amamentar somente com leite materno – e vou dizer que é muito amor e muita força mesmo para aguentar a dor do bico ferido (diria que a dor do parto normal não é nada perto da dor que senti para amamentar nas primeiras semanas). Eu via estrelas e gritava de dor a cada mamada no seio ferido. E foi aí que pedi ajuda.

Imagino que muitas mães devem desistir de amamentar com leite materno desta fase por não suportarem a dor. Ou por acharem que nunca vai melhorar, que não vão dar conta. Mas é tudo questão de pedir ajuda. Eu contei com a ajuda de uma enfermeira obstétrica oferecida pelo meu plano de saúde. Ela veio me visitar em casa duas vezes, uma logo após a descida do leite, outra quando o bico estava bem machucado e eu quase desistindo. Foi de extrema importância contar com a ajuda desta anja, não só pelas informações importantes, mas principalmente também pelo apoio psicológico. Sendo mãe de primeira viagem, a gente não tem muita base de comparação do certo ou errado. Só dela ter falado que eu estava bem, que estava fazendo tudo certo, já me senti melhor e mais segura para continuar amamentando com tranquilidade. Aliás, tranquilidade é uma palavra importante – acredito que mãe estressada só passa estresse para o filho, assim  como mãe tranquila passa tranquilidade.

O que fiz que deu certo para mim neste primeiro mês:

– usei as conchas de seios (aquelas que tem furinhos de respiração, veja aqui) na semana que o leite desceu, colocando entre o seio e o sutiã para aliviar um pouco o excesso de leite (em 10 minutinhos as conchas ficavam transbordando de leite). Assim a aureola dos seios ficava menos dura e mais fácil de ser abocanhada pelo bebê, e aliviava um pouco minha sensação de peitos estourando de tanto leite.

– usei após cada mamada a pomada de lanolina da Lansinoh, que hidrata e protege os mamilos rachados. A enfermeira que me atendeu deu a dica de passar 20 segundos de secador de cabelo quente no mamilo, passar a pomada e depois mais 20 segundos de secador, para mais rápida absorção e eficiência.

– Antes de cada mamada, passei a fazer uma massagem nos seios para que o leite já começasse a pingar. Assim quando Nicolas abocanhava, já tinha bastante leite saindo, evitando que ele tivesse que fazer uma sucção muito forte.

– Testei novas posições para o bebê na amamentação. Na mama que estava rachada passei a segurá-lo na posição invertida, e isso melhorou muito a pega e a dor diminuiu. Aos poucos o machucado está melhorando, já que a pega melhorou.

– usei os absorventes de seios. Eles não melhoram a amamentação, mas pelo menos evitam que todas as minhas roupas fiquem sujas de leite, o que já melhora bastante minha auto estima, rs!

– providenciei uma nova poltrona de amamentação. Eu estava usando uma poltroninha que eu já tinha ou o sofá da sala, mas eles não me davam uma boa postura e em uma semana fiquei com as costas toda dolorida, no fim do dia parecia que eu tinha tomado uma surra de 20 homens de tanta dor nas costas. Uma poltrona com bom suporte para suas costas e braços ajuda muito.

Onde pedir ajuda:

Repetindo: antes de desistir, peça ajuda. Por mais que você leia tudo sobre amamentação, sempre há dúvidas. Existe a dor, o medo, a insegurança, o empedramento do leite nos seios, o bico machucado… E isso tudo acontece com a maioria das mulheres, não se sinta sozinha! Peça ajuda antes de desistir!

Grupo Virtual de Amamentação: no Facebook. Conheci agora e achei incrível. Voluntárias oferecem ajuda personalizada para as dúvidas das mamães, sempre baseadas nas orientações da OMS, Ministério da Saúde e pesquisas científicas. Lei as perguntas frequentes, praticamente todas as suas dúvidas serão esclarecidas. Se precisar de mais ajuda, eles te ajudarão! (serviço gratuito)

Bancos de Leite: eu não cheguei a ir em nenhum, mas já li várias histórias de mulheres que foram super bem tratadas e socorridas nestes lugares pelas enfermeiras especializadas em aleitamento. (serviço gratuito)

– Cinthia Calsinski: e especialista que me atendeu. Ela atende à domicílio. Serviço pago.
(11) 98208-8890

Feliz em ter superado este primeiro mês com leite materno exclusivo e que venham os próximos meses!

Relações profissionais

CONVERSE COM A GENTE