Relato do meu parto normal

Eu queria começar o post de forma menos óbvia do que dizendo que foi o dia mais especial da minha vida (e nesse momento já começo a chorar…), mas a verdade é que o amor é assim, óbvio. Tinha que ser meu filho, tudo planejadinho: ele nasceu no dia exato em que completou 40 semanas. Achei isso muito especial porque passei a gravidez inteira conversando com ele para ficar na barriga as 40 semanas, e no dia anterior eu disse que ele já podia nascer… e ele nasceu.

Comecei a sentir contrações às 3 da madrugada, como se fossem uma cólica forte com duração de mais ou menos 1 minuto, de 10 em 10 minutos. Fiquei calma e comecei a marcar no celular o horário das contrações, para ter certeza que estavam regulares. Meu marido acordou às 4 da manhã incomodado com a luz do meu celular, foi aí – já com certeza – que contei que estava sentindo as tais contrações, que havia chegado a hora. Sentia uma dor, mas suportável, super tranquilo. Ficamos calmos o tempo todo, eu sabia que não adiantava correr para a maternidade. Tomei banho, arrumei o que faltava na mala maternidade (a necesarie, bolsinha com maquiagem, câmeras fotográficas). Como as lembrancinhas eram chocolate e não queríamos deixar no porta malas para não derreter, foi só nesse momento que meu marido levou mala, quadro da porta maternidade, lembrancinhas, tudo para o carro. Eu ainda liguei o computador do trabalho para colocar a mensagem “out of office”, mandei mensagem para a fotógrafa querida que escolhi para fotografar o parto e o médico, e acreditem, me arrumei com a mesma roupa e mesma maquiagem das fotos que fiz do crescimento da barriga semanalmente. E mesmo com dor, fui na no hall do prédio (onde tirei todas as fotos) para bater minha última foto com o barrigão, a foto de exatas 40 semanas!

Nesse momento eram 6:30h da manhã e as dores ficaram mais fortes, mais longas, com menos espaçamento. Nesse momento eu já havia parado de marcar a duração do tempo. Mesmo com a dor, foi tudo perfeito, porque ainda era cedo e o trânsito não estava caótico, era inclusive dia de rodízio da nossa placa de carro e chegamos no Einstein antes das 07h (mas quem se importaria em receber multa neste dia, rs?!).

Quando cheguei no Einstein já sentia muita dor. Me colocaram numa cadeira de rodas e subi direto para a sala de pré-parto, onde as enfermeiras te avaliam. Vou falar que essa hora não é fácil, muita dor e ainda ter que passar por exame de toque, a gente é guerreira mesmo. Eu estava com quase 5 de dilatação, o que é ótimo. Me colocaram num chuveiro quente para relaxar – nesse hora meu marido estava mais preocupado com o desperdício de água, foi inclusive perguntar se a água era reaproveitável, rs! Esse é meu marido fofo! Meu obstetra já estava lá. Em seguida tomei a anestesia peridural e passou toda a dor, foi ótimo. Através de um aparelho (que não sei o nome) dava para monitorar os batimentos cardíacos do bebê e minhas contrações, ou seja, elas estavam lá, mas eu não sentia mais dor. Minha mãe, irmãs e cunhada já estavam lá, ficaram inclusive comigo na sala pré-parto.

Minha dilatação foi relativamente rápida. Me colocaram para fazer exercícios na bola de pilates, um trabalho de parto ativo e sem muita dor. Mas sendo sincera com vocês, a gente tem que se livrar um pouco do pudor, afinal é uma situação em que estamos lá nua, apenas com o avental médico por cima, fazendo exercícios “rebolativos” numa bola de pilates, com um monte de gente olhando. Mas até eu, que sou bem fresca, nessas horas a prioridade é outra, é o bem estar do bebê.

Chegou a hora de ir para sala de parto, haja emoção. 11h da manhã. Achei que iria ser tudo bem rápido e antes das 12h eu estaria com meu bebê no colo. Mas aí que começou a parte mais difícil. Apesar de eu estar com dilatação, o bebê não descia. Não foi fácil. Eu fazia muita força, mas parecia que o bebê descia um pouco e voltava. Foi exaustivo. Mais exercícios na bola, agachamentos, nada do bebê. Mais força, nada. Teve um hora que abri os olhos e a equipe médica havia trocado de roupa, estavam colocando roupa para cirurgia. Meu mundo caiu. Eu queria tanto o parto vaginal. De repente entrou uma mesa cheia de facas, tesouras… fiquei arrasada. Perguntei se iriam fazer cesárea em mim, e me contaram que o bebê já estava exausto, então precisavam se preparar caso precisasse de uma cirurgia de emergência (antes disso tentariam o fórceps, que também não é animador).

Nesta hora eu pensei comigo mesma: “vou fazer muita força agora, vai dar certo”. E assim comecei a fazer uma força maior ainda, mesmo também já estando cansada. E Nicolas nasceu às 12h44 de parto normal. Nasceu enrolado em 3 voltas do cordão umbilical (pausa para repetir que isso não é impedidor de parto normal, como muitos pensam). Chorou e veio direto para meus braços. Quentinho, gostoso, lindo. Que momento mais especial. Tirou nota 10 no teste de apgar. Tirou nota 10 em todo amor incondicional entre papai, mamãe e ele.

O “engraçado” é que depois de tudo a gente fica deitada lá na maca e o papai quem faz a parte legal. Na sala do parto tinha aquela janelinha para apresentar o bebê para a família que estava lá fora (e já estava desesperada com a demora, minha mãe contou que até tentou entrar na sala do parto, mas que estava trancada, rs!!). É muito emocionante esse momento de apresentar o bebê para a família. O pai transbordava alegria.

Agora a parte chata, que ninguém conta, mas eu vou contar. Teve que fazer episiotomia (o corte cirúrgico no períneo) e foi bem incomodo no dia seguinte. Eu preferia que não tivesse acontecido, claro, não queria nenhum procedimento cirúrgico (já passei por 2 cirurgias na minha vida e sempre achei o pós cirúrgico bem traumático, por isso minha preferência pelo parto normal do que cesárea). Não é legal, mas se foi necessário, vou superar e pronto.

Quero aproveitar e agradecer à toda equipe médica do Dr. Eduardo Zlotinik, a Dra. Camila Martin e as enfermeiras, foram todos ótimos e me senti calma e segura 100% do tempo.

Sempre ouvi falar que toda a dor do parto é esquecida depois do nascimento do bebê e achava que isso era blá blá blá de mãe apaixonada pelo próprio filhote. Mas é a mais pura verdade, deve ser algo do cérebro mesmo. Toda a dor é imediatamente apagada da nossa memória no momento em que o bebê nasce, achei isso impressionante. Se eu tivesse que passar por todo o trabalho de parto novamente no mesmo dia, passaria sem problema nenhum.

Queria dizer também que eu considero todos os tipos de parto normais – o nome correto seria parto vaginal, mas acho um nome meio “feio” então prefiro falar parto normal. Respeito todos os outros tipos de parto, mas preciso dizer que me sinto plena sabendo que deixei o bebê nascer no momento em que ele quis e que por conta do parto vaginal, no mesmo dia eu já estava caminhando e forte para cuidar dele.

Vocês não sabem, mas demorei uma eternidade para consegir escrever esse relato porque tive que parar para enxugar as lágrimas muitas vezes. Realmente transbordando amor.

 

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