Um alerta às futuras mamães: Mamoplastia X Amamentação

Erika Souza traz seu relato real e informações importantes para a gente:

Meu Isaac chegou lindão ao mundo as 19h32 do dia 14/11/11, através de parto normal (aproveito para fazer coro com as mamães que defendem esta causa. Parto normal é tudo de bom, por todas as vantagens que já foram ditas aqui. Se você não tem nenhum impedimento que viabilize isto, não faça a opção da cesariana só porque seu médico julga ser mais vantajoso – para ele!).

Segura o Isaac aí… voltarei alguns anos no tempo para vocês entenderem minha história: Sou mãe também de uma princesa de 13 anos, que amamentei por pouco mais de 1 ano. Dois anos após o nascimento da Rafaela, decidi fazer uma mamoplastia redutora. Muito mais do que por estética, uma questão de saúde, pois minha coluna não estava mais aguentando o peso de seios que sempre foram grandes, e se tornaram maiores após a gravidez.

Durante a gestação do Isaac, meu obstetra alertou-me sobre a dificuldade de amamentação de suas pacientes com esta condição. Eu fiquei preocupada, mas como ele disse que só daria pra saber como seria após o nascimento, resolvi manter a esperança, já que tive abundância de leite para dar a Rafaela.

A enfermeira trouxe meu gatinho ao quarto cerca de 3 horas após seu nascimento e imediatamente o coloquei no peito, ele mamou normalmente e com facilidade, minhas mamas estavam cheias de leite. Respirei aliviada! Como a maioria das mamães, enfrentei aquelas pequenas dificuldades do início: bico rachado, dor, até um leve sangramento. Mas estava tão feliz por poder amamentá-lo que persisti firmemente durante 2 semanas.

Foi então numa consulta de rotina com a pediatra que não senti o chão debaixo dos meus pés por alguns segundos. Ao colocar o bebê na balança, nos deparamos com um peso muito abaixo do esperado: o Isaac nasceu com 3.290kg e claro que é normal perder um pouco de peso nos primeiros dias, mas que geralmente é rapidamente recuperado, mas ele estava com apenas 2.600kg aos 15 dias de vida. Foi um choque para mim! Minha mãe havia notado que ele estava “magrinho”, mas por estar o tempo todo com ele, não percebi a perda de peso, achei que ele estava normal, pois mamava quase o dia todo e que isso era coisa da cabeça de avó.

Falei com a pediatra sobre a mamoplastia, mas ela não atribuiu o caso a esta condição, já apalpou minhas mamas e concluiu que eu tinha bastante leite, então solicitou alguns exames para o bebê, pois queria descartar uma infecção urinária (que é uma das causas mais comuns para a perda de peso nos recém-nascidos saudáveis) e me orientou a insistir na amamentação. Verificou a “pega” e disse que estava correta, era só insistir. Os exames não apontaram qualquer alteração clínica no bebê e a pediatra passou a vê-lo e pesá-lo de 2 em 2 dias, mas os resultados eram sempre desanimadores: quando o peso não estava ainda mais baixo, tinha aumentado no máximo 100 gramas.

Foi então que em uma manhã de domingo, ao ver o esforço que meu bebezinho estava fazendo para mamar, tão magrinho (neste estágio, já era muito visível… o pescoçinho finíssimo), me bateu um desespero e resolvi “desobedecer” a pediatra e mandei meu marido até a farmácia para comprar uma lata de fórmula (o “leite artificial” dos recém-nascidos).
Ele mamou desesperadamente, como se tivesse muita fome, que dó!
Comuniquei a minha decisão à pediatra, que me orientou que sempre oferecesse o peito antes da mamadeira (que deveria servir apenas de complemento). E assim fiz por alguns dias, mas logo ele já passou a rejeitar o peito. Era o esperado, já que o que estava o alimentando mesmo era a fórmula na mamadeira.

Obviamente fiquei muito triste, preocupada com o futuro da saúde dele, mas enfim… Com fé, amor e apoio de minha família e amigos, me convenci que eu havia feito o meu melhor, que tentei até onde pude, mas esta situação não foi uma escolha minha. O Isaac começou a ganhar peso e hoje está super bem, com o peso normal para um bebê de pouco mais de 3 meses de vida.

Qual a mensagem que quero passar às leitoras com esta história? Primeiro que, se você pensa em fazer uma mamoplastia, considere ter os filhos que deseja primeiro. Eu não tinha esta informação. Ainda que deseje fazer a cirurgia primeiro, ou nem pensa na possibilidade de ter filhos um dia (considere que pode mudar de ideia daqui alguns anos), converse sobre esta questão com seu cirurgião. Eu não sou especialista, então não sei se talvez exista alguma técnica nesta cirurgia que evite o comprometimento da amamentação.
Mas por que minhas mamas eram cheias de leite (chegavam até vazar) e mesmo assim o bebê não estava sendo suficientemente alimentado? Bem, conforme as informações passadas pelo meu obstetra e também o que pesquisei, no momento da cirurgia, os dutos mamários foram danificados, então meu corpo até produzia leite, mas a “entrega” ao bebê acabou sendo comprometida por conta destes danos causados pela cirurgia. Outro fator mais aceitável para esta situação, foi que o leite que saía, era aquele primeiro (mais fraquinho, que mata a sede do bebê), mas o leite mais espesso, que contém a gordura necessária para o bebê ganhar peso e se desenvolver, este não conseguia ter vazão pelos dutos que foram comprometidos durante a cirurgia.
Atenção: esta situação só se aplica aos casos de mamoplastias redutoras, pelo que sei, as mamães que já implantaram silicone, não correm nenhum risco de não conseguir amamentar por conta disso.

Bem, espero ter contribuído com informações uteis que sirvam de alerta para as futuras mamães refletirem e terem uma conversa franca com seu cirurgião sobre esta questão, antes de entregar-se ao bisturi. Uma última informação… conversando com outras mães em salas de discussão, 99,9% das que conversei e haviam passado por este tipo de cirurgia, não conseguiram ou tiveram muita dificuldade para amamentar.

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