Vamos falar sobre brinquedos, bebês e afeto?

Uma feliz mudança de rumo! Quando pensamos este texto, a intenção inicial era falar sobre brinquedos educativos ideais pra diferentes faixas etárias, desde os primeiros meses. Para explorar com propriedade o assunto, decidimos conversar com um profissional especialista no assunto, no caso a socióloga Gisela Wajskop. Foi exatamente nesse momento que fomos conduzidos – felizmente! – para uma reflexão muito mais profunda sobre a relação entre bebês, brinquedos e afeto familiar. Entenda a seguir!

No 1o ano de vida as mães devem priorizar brinquedos sem excesso de informação ou de barulhos? A que se deve atentar nessa fase?
Os bebês nascem fundidos em suas mães e vice-versa. Ou seja, no início, mães e bebês são uma coisa só. Assim, penso que o mais importante nesse período é que as mães estejam disponíveis para seus bebês, sintam-nos e observem-nos bastante, de maneira a facilitar que a fusão existente possa gradativamente rumar a uma separação confiante. Nesse período tem início um processo de separação entre os bebês e suas mães cujo sucesso vai depender de uma comunicação amorosa e compreensiva que parta do adulto. A fusão e a separação serão a marca desse período que deve durar, mais ou menos até os 3 anos. Olhar no olho, conversar, interpretar para o bebe o que está se passando ao seu redor é a melhor ferramenta que uma mãe pode oferecer para seu filho nesse período.

Nessa direção, a oferta de objetos e brinquedos é mais uma das atividades que a mãe poderá oferecer para seu filho. Assim, muitas vezes, o primeiro objeto que facilita que o bebê se entretenha sem a presença da mãe pode ser a fralda usada no momento da amamentação, um paninho ou um bonequinho de pano, espuma, etc. Esse objeto, que ajudará o bebe no processo de separação com a mãe poderá ser oferecido por qualquer adulto, lembrando-se que o objeto será escolhido pelo bebê quase que espontaneamente.

Com relação a outros objetos que ajudem os bebês a desenvolverem curiosidade pelo mundo ao seu redor e que possam ajuda-lo a interessar-se por manipulá-lo, morde-lo, jogá-lo, observá-lo todo objeto é adequado desde que o bebê se interesse por ele, lembrando que é o vínculo com  a pessoa que lhe ofereceu que acaba sendo o mais importante. Muitas vezes o molho de chaves que o pai apresenta para seu bebê quando chega em casa pode ser o objeto mais interessante ao longo de meses, pois representa, além do barulho as chaves, a possibilidade de brincar com o pai. Um objeto sozinho não significa nada para o bebê fora de um contexto emocional e afetivo amoroso e de trocas.

Ainda sobre o 1o ano de vida, existe uma diferença muito grande de interação da fase em que o bebê não senta para a que ele começar a sentar, certo? Qual mudança acontece nos brinquedos nessa fase, o que as mães podem começar a introduzir para entreter e estimular os pequenos a partir do momento em que ele começa a sentar?
A diferença existente nesse período é em relação a autonomia da criança. Sentar significa poder controlar seu próprio corpo e também ter maior preensão de objetos. Ainda na mesma direção da pergunta anterior, observar seu bebê, interpretar sua forma de ser é o que irá guiar as mães. Explorar suas preferências é uma brincadeira em si.

Será que meu bebê gosta de massinha, de amassá-la ou prefere empilhar blocos? Tocar um tamborzinho ou cascas de cocos comprados em conjunto na feira? Folhear em conjunto um livro ou esconder-se atrás de um paninho? Na realidade, entreter os bebês apenas com objetos, sem ajudá-los a escolher o que preferem numa relação de troca afetiva é consumo puro. Além disso, as mães precisam acreditar em suas intuições em relação aos seus bebes. Se ela gosta de desenhar e pintar, oferecer tintas e experimentar junto com seu bebe pode ser excitante para ambos. Deixem as intenções pedagógicas para a escola!

E quando ele começa a engatinhar e andar, o que sugere?
Nessa fase, as crianças começam a interessar-se por tudo que existe na casa e ao redor. Empurrar e puxar objetos, entrar em caixas de papelão, empurrar carrinhos de boneca, são boas opções.

Quando o bebê ultrapassa os 18 meses os brinquedos mais interativos, como instrumentos musicais, entram em cena, certo? Quais brinquedos julga ideais?
No meu entender definir as crianças de maneira tão estreita nas idades mais atrapalha do que ajuda. As crianças reais têm características particulares, no interior das faixas etárias, que são diferentes. As faixas etárias são flexíveis, o que significa que algumas crianças andam aos 10 meses e outras aos 1,5 ano, o que significa pouca coisa no desenvolvimento de cada uma. Revela, no entanto, diferenças de personalidade, de interesses e de habilidades.

Assim, algumas crianças podem interessar-se por blocos aos 1,5 ano enquanto outras preferem instrumentos musicais. Precisamos estar disponíveis para oferecer brinquedos variados que, mais do que serem importantes para o desenvolvimento de nossos filhos, nos atraem e atraem a eles. As escolhas pelos brinquedos devem ser guiadas pela prudência e pela disposição em brincar com as crianças, ajudando-as em um primeiro momento. Quebra-cabeças são interessantes, desde que que não haja pressão para que a criança execute a tarefa com uma alta expectativa de acerto.

Muitas vezes, o que esperamos que uma criança faça com um objeto não é exatamente o que ela fará com ele. Deixe as instruções e aprendizagens para a escola. Nessa faixa etária ler pequenas histórias, brincando com os sons e gestos dos personagens é uma atividade estimulante e interativa!

Como enxerga o uso do iPad e de outros brinquedos de tecnologia nos primeiros anos de vida? Eles atrapalham a socialização da criança, as afastam de atividades físicas, por exemplo?
Penso que tanto o uso do Ipad e outras bugigangas tecnológicas tem a mesma função que um bom brinquedo, se ofertado em hora adequada e em uma situação amorosa de trocas e invetigações. Se, no entanto, forem oferecidos para deixarem as crianças entretidas, como uma “babá barata” eles farão muito mal para as crianças. O problema associado à socialização das crianças e das atividades físicas tem mais a ver com a forma como são ofertados e o uso que se faz deles do que os próprios objetos. Um casal que vai ao restaurante e que fica todo o tempo no Facebook, por exemplo, é mais perverso em relação aos filhos do que o próprio Ipad. Ao contrário, jogar um joguinho juntos, desligar e propor dar um mergulho juntos no mar não atrapalha em nada, ao contrário, revela o quanto os objetos estão a nosso dispor quando queremos e decidimos.

Em qual faixa etária e como (dosagem) introduzir eletrônicos e tecnologias na vida das crianças?
Acho isso muito pessoal mas eu, por exemplo, dei o primeiro celular ao meu filho quando ele fez 13 anos. Mas eu sou das antigas!!!! No meu entender, as crianças observam os adultos e seus objetos. Deixar mexer pode ser sempre, desde que não substitua a introdução no mundo de outros objetos. Eu, particularmente, me incomodo muito ao ver um bebê de 7 ou 8 meses no colo da mãe manipulando um celular. Mas isso é muito pessoal. Acho que esquenta, passa vibrações e radiações. Eu esperaria ata uns dois ou três anos. Mas se a pessoa não larga do celular, como evitar que seu filho se interesse por ele? Acho mais adequado pensarmos o que estamos fazendo de nossas vidas…. 

 

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