Baby Blues e Depressão Pós-Parto | Sintomas e Tratamentos

Para esclarecer algumas dúvidas sobre o baby blues e a depressão pós-parto, a redação do blog conversou com a equipe do Primeiras Histórias, um grupo de profissionais da área da saúde que acompanha a gestação e a chegada do bebê, dando suporte à família nas questões cotidianas – práticas e emocionais – que surgem no período do pós-parto. Falamos sobre sintomas, tratamentos e sobre a importância de enfrentar essa fase, para que a construção do vínculo da mãe com o bebê não seja prejudicada. Confira o testemunho elaborado pelo grupo a seguir:

O pós-parto é um período em que a mulher passa por grandes transformações físicas, emocionais, hormonais e estruturais. Os processos são intensos e profundos. Mesmo com todo o amor e alegria em receber o bebê, muitas vezes os sentimentos e emoções transbordam e são contraditórios. Isso pode causar muita angústia, gerada pela culpa de não estar sentindo a plenitude que havia imaginado. É muita coisa ao mesmo tempo!

       Esse primeiro momento após o nascimento do bebê é muito importante na formação do vínculo entre eles. É fundamental que a mulher se sinta amparada e cuidada para que ela possa cuidar do bebe e, assim, criar a possibilidade de intervir antes que pequenos nós virem grandes problemas.

         Nesse período, cerca de 80% das mulheres vivem o baby blues, e 13% a depressão pós parto. Outras doenças psiquiátricas também podem aparecer no pós parto como: psicose puerperal, transtorno obsessivo compulsivo no pós parto e mania. Contudo, esses últimos quadros são pouco frequentes.”

Qual é a diferença entre baby blues e depressão pós-parto?
A maior diferença é que o baby blues passa com o tempo e a depressão precisa ser tratada. Na depressão pós parto há um aumento na intensidade e na constância dos sintomas, como a tristeza, apatia, sentimento de rejeição, falta de energia e prazer que tornam esse momento extremamente sofrido.

O que caracteriza o baby blues? O tratamento é necessário ou é visto como algo mais passageiro?
O baby blues é caracterizado pelo estado regressivo e melancólico, em que a mulher muitas vezes fica muito emotiva, insegura e chorando sem explicação. Geralmente, está ligado às mudanças hormonais, acontecendo  três ou quatro dias depois do parto, quando a produção do leite inicia. Além do fator hormonal, é um período em que ocorrem grandes mudanças com a chegada do bebê: na rotina, no sono, na alimentação e nos papéis (filhas que se tornam mães, mulheres/profissionais que estão experimentando um outro ritmo no dia a dia, transformações na estrutura conjugal). Imaginem quantas coisas precisam ser elaboradas num curto período de tempo. A dedicação e tempo com o filho são intensos. A amamentação e os cuidados com higiene, por exemplo, tomam grande parte do dia da mãe (ou do cuidador); muitas vezes é difícil doar-se integralmente ao outro. O baby blues é um estado emocional importante no qual a mulher fica mais introspectiva e “regredida” para que possa se sintonizar com as demandas do bebê e ir construindo a maternidade. Com apoio do pai e da família, os hormônios se regulando e uma nova rotina se instaurando, o baby blues tende a ir “se dissolvendo” num prazo de duas à três semanas.

Ele não precisa de tratamento, mas é primordial que a mãe seja cuidada e tenha suporte para que possa se dedicar a cuidar do bebê. O suporte pode ser desde prover ou facilitar que a mãe se alimente, os cuidados com a casa ou proporcionar que ela tenha algum tempo para poder cuidar de si. Outro ponto fundamental é favorecer a criação de espaços de conversa, escuta e apoio (pode ser pessoal ou profissional), ajudando a mãe a reconhecer e colocar seus limites.

Quais são os principais sintomas da depressão pós-parto?
Quando o baby blues não passa ou sua intensidade é muito forte, podemos entender que tem algo mais grave acontecendo e que um quadro de depressão pós parto pode estar se configurando. Além dos sintomas similares ao baby blues, outros sintomas podem aparecer. Os principais sintomas que precisamos estar atentas são:

– angústia e tristeza elevada,

– dificuldade de vincular e cuidar do bebê ou o ver como um estranho,

– apatia ou sentir-se desinteressada pela vida e pelo bebê,

– não ter prazer nas atividades do dia a dia,

– sensação de que perdeu o controle de sua vida,

– achar que nada vale a pena e que não conseguira sair dessa situação,

– ansiedade e culpa elevada,

– ideias suicidas,

– auto ou hetero-agressão,

– sentir-se presa

– exaustão permanente, acompanhada de insônia.

Quais fatores podem influenciar no surgimento da doença (físicos, emocionais, estilo de vida)?
– ter tido depressão ou outra questão psiquiátrica antes ou durante a gestação,

– dificuldade de amamentação,

– um parto diferente da expectativa,

– problemas de saúde com a mãe ou bebê,

– bebês mais agitados e inquietos que demandam mais dos pais,

– mães/famílias com pouco ou nenhum suporte,

– instabilidade financeira e medo do futuro

Quais tipos de tratamento existem?
Antes de tudo, vale lembrar que não precisa ter vergonha de pedir ajuda. Essa é a primeira grande barreira a ser ultrapassada, uma vez que as mulheres se sentem “obrigadas” a ser a mãe mais feliz e realizada do mundo, e ao mesmo tempo se sentem culpadas por estar triste e angustiada.

É importante tratar a depressão pós parto para que não se cronifique e, assim, não prejudique a construção do vínculo da mãe com o bebê.

Uma consulta com o psiquiatra é fundamental para avaliar a necessidade de tratamento farmacológico. Existem anti depressivos que não prejudicam a amamentação e podem ser um grande aliado na dissolução da crise.

O tratamento psicoterápico (indica-se que seja a domicílio nessa fase mais restrita e intensa da mulher) ajuda na melhora do quadro depressivo, possibilitando a criação de um espaço de cuidado e elaboração das questões e angústias tão frequentes nessa fase. Também existem distintos grupos de suporte no pós parto que podem auxiliar as mães a encontrar estratégias e acolhimento para suas questões.

Relações profissionais

Grupo Primeiras Histórias

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tel: (11) 97370-8337

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