Licença Maternidade X Trabalho

Meu caso foi um pouco atípico: não sei se todas leitoras sabem, mas além de cuidar dos dois blogs, Vestida de Noiva e Vestida de Mãe, também tenho um emprego fixo numa empresa. Sim, sempre trabalhei muito, em horário comercial na empresa a qual faço parte há 10 anos, e após o horário comercial e fins de semana cuidando do conteúdo dos blogs.

E como ficou isso tudo após o Nicolas nascer? Agora chegando ao fim do período da licença-maternidade, fazendo o balanço dos últimos meses, posso afirmar com segurança que foram os melhores 7 meses da minha vida. Tive a sorte de aproveitar as vantagens dos dois lados: vantagens de ter os benefícios de ser funcionária de uma empresa e vantagens de ser empreendedora e ter meu negócio próprio. O que deu tão certo, ao meu ver, foi o balanço entre as duas coisas.

Sendo funcionária de uma empresa tive a sorte de ter uma licença-maternidade de 6 meses (até Nicolas nascer, eram 4 meses de licença. Um belo dia o RH me ligou e disse que tinha mudando para 6 meses! Abri uma champanhe de felicidade), além de mais um mês extra de férias. Foram 7 meses recebendo meu salário e podendo desfrutar em casa os cuidados de um recém-nascido. Não consigo entender como a lei no Brasil ainda é de apenas 120 dias. Com quatro meses eu não me sentia nada preparada para voltar ao trabalho fora de casa (não que agora eu sinta), o bebê ainda é muito pequeno, não senta, não interage tanto, é justamente a partir de 5 meses que começa a interação maior com a mãe. E principalmente, claro, todo mundo está cansado de saber os benefícios de amamentar exclusivamente com leite materno por 6 meses. Eu consegui! Graças à minha dedicação e à licença maternidade de 6 meses que tive.

Entretanto, não foram meses de dedicação exclusiva ao bebê. Os blogs hoje são empresas, tem uma equipe de funcionários e como dona do negócio, preciso gerenciar tudo – pagamentos, fluxo de caixa, conteúdo, novos projetos, responder milhares de e-mails etc – autora de blog e dona do próprio negócio não tem licença-maternidade, afinal a empresa depende da gente e não pode “morrer”. Sorte que amo muito o que faço, faço tudo com enorme prazer. Escrever para os blogs, atualizar as mídias sociais, compartilhar com vocês minhas experiências, tudo é feito com enorme prazer e boa vontade.

Engraçado que algumas pessoas me perguntavam “quando você volta ao trabalho”, e eu respondia “mas eu nunca parei de trabalhar!”. As pessoas não fazem ideia do quão sério e trabalhoso é ter dois blogs.

Sempre fui daquelas que precisam se sentir produtivas o tempo todo. Vocês vão me achar louca, mas respondi e-mail de trabalho até da maternidade! (o bebê dorme a maior parte do tempo… Para mim era normal trabalhar enquanto ele estava dormindo!). Cheguei em casa da maternidade e depois que apresentei a casa toda para o Nicolas, ele dormiu e eu fui trabalhar!

Acho que o equilíbrio das duas coisas – poder estar em casa devido à licença maternidade e ao mesmo tempo tendo compromissos de trabalho próprio – foi o que me fez completamente feliz nestes últimos 7 meses. Se eu estivesse só de licença, sem ter meu negócio próprio, eu teria ficado um pouco “depressiva” de não fazer nada produtivo. E se eu tivesse apenas meu negócio próprio, teria o peso das costas maior de não poder contar com o salário da empresa. Consegui equilibrar ambas as coisas.

Lembro do primeiro mês, exausta da privação do sono de ter que acordar de 2h30 em 2h30 para amamentar, de ter os seios cheios demais, de ficar pingando leite literalmente pela casa toda, de pijama, completamente “desmontada”. O bebê dormia e a moça que me ajuda com os afazeres domésticos me dizia (e insistia) que quando o bebê dormisse, a mãe tinha que ir dormir também. E eu olhava para ela e dizia: “Eu não, eu vou trabalhar”. Deixava Nicolas dormindo no carrinho (que tinha moisés) e trabalhava o tempo todo. Não teve um dia que os blogs ficaram sem conteúdo (e não é só conteúdo que tenho para fazer, são as mídias sociais, os e-mails, as parcerias, os contratos comerciais, as planilhas financeiras, as reuniões com a equipe, reuniões com parceiros). Isso me enche de orgulho.

O segundo e terceiro mês foram os mais fáceis. Nicolas ainda dormia muito durante o dia e a amamentação já estava mais fácil. Ele também já dormia 4 ou 5 horas seguidas, que é a mesma quantidade de horas que eu dormia antes de ter filho por conta de ambos os trabalhos, então não tive dificuldade nesta parte. À partir do quarto mês que tudo ficou mais complicado porque o bebê começa a exigir maior interação, ficar mais horas acordado, querer mais colo, brincar. Acho que foi meu mês menos produtivo (mas mesmo assim lancei meu canal do youtube – projeto novo – bem neste mês!). Entre 5 e 6 meses foi quando decidi contratar uma babá, para já testar uma pessoa para ficar com Nicolas quando eu voltasse a trabalhar e para poder interagir bastante com ele nos momentos em que preciso focar no trabalho dos blogs.

Me perguntam muito como foi minha rotina. Não sei se teve uma rotina clara, eu simplesmente deixava tudo acontecer com prioridade para o bebê. A hora que ele queria mamar, eu dava de mamar, a hora que ele queria colo, eu dava color, e a hora que ele dormia, eu ia trabalhar – simples assim. Tenho a sorte (não é sorte, é pago com o dinheiro do meu trabalho) de ter uma pessoa em casa para me ajudar com os afazeres domésticos, o que faz toda diferença do mundo. Então consegui focar total no Nicolas e no trabalho.

Se me arrependo de alguma coisa? Teve dias de sol que eu pensava “podia estar no clube brincando com o Nicolas”, mas não conseguia ir porque tinha algum compromisso de trabalho. Nestas horas, por alguns segundos, eu desejava estar “só” de licença maternidade para não ter compromisso nenhum. Mas logo passava, afinal mãe feliz é antes de tudo mulher feliz, e eu sou feliz tendo meu negócio próprio e cuidando do Nicolas ao mesmo tempo.

Desde que fiquei grávida, mudei muito. Antes eu era bem mais estressada, um “tratorzinho” querendo fazer tudo ao mesmo tempo. Agora ainda faço “tudo ao mesmo tempo”, mas sempre procurando levar tudo com leveza. Nicolas é prioridade, claro. Quando estou com ele, estou 100% com ele, emanando amor o tempo todo. E quando estou trabalhando, foco no trabalho. Tudo é questão de saber priorizar, planejar, organizar. Neste exato momento em que escrevo são 00h30 da madrugada. Meu marido e Nicolas estão dormindo. Eu vou lá agora, enchê-los de beijo e dormir também. É minha última semana de licença maternidade. Não sei como vai ser depois, não fiquei pensando muito sobre isso para não sofrer por antecipação. E vou encerrar logo este texto antes de cair no choro. Depois conto como será o retorno ao trabalho do escritório.

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