Mãe Empreendedora: Entrevista com Raquel Almeida Prado

Assim como aconteceu em outras histórias já publicadas no blog, a descoberta da primeira gravidez transformou a trajetória profissional de Raquel Almeida Prado, que vive e trabalha em São Paulo. Depois que sua mãe, uma costureira de mão cheia, fez um lindo enxoval para a primeira neta, as duas se animaram com a ideia e passaram a bolar juntas outros produtos do tipo para presentear amigas e familiares grávidas. Assim, do nada, meio que de sopetão, como define a própria, começou a surgir a marca Raquel Almeida Prado.

Sabe aqueles itens essenciais, do tipo necessaires, jogo de cama e toalhas confortáveis e protetores de carrinho e de berço, que parecem ganhar ainda mais importância quando temos um bebê em casa? Pois é exatamente a eles que Raquel e sua mãe se dedicam diariamente. As duas cuidam de cada uma das etapas do processo de produção das peças – desde a escolha do tecido até a entrega do produto pronto para o consumidor final. Confira, a seguir, uma conversa com a empresária, que deixou para trás sua formação em direito e mergulhou no universo infantil.

Como, por que e quando decidiu mudar para o universo infantil?
Depois de uns 2 anos de formada, decidi que não queria mais o Direito. Fui morar fora e, quando voltei, me envolvi com o terceiro setor, mas me sentia perdida, não sabia exatamente o que queria. Depois disso, engravidei e, encurtando a história, foi a partir dai que comecei a enxergar com outros olhos o universo infantil. Nunca tinha pensado nisso antes.

Seus produtos são criados de acordo com uma necessidade que você sente na sua própria casa? O que te inspira?
Acho que falta muita coisa bacana no mercado. No caso de lençol e tecido, por exemplo, ou o modelo é ruim ou é muito cheio de rococó. Queria uma coisa mais divertida, mas ao mesmo tempo com uma super qualidade. No começo, as minhas toalhas e meus lençóis eram mesmo só para pequenos, como minhas filhas, mas, conforme elas foram crescendo, comecei a fazer toalhas maiores, lençóis de mini-cama, solteiro…. E a gama de produtos foi aumentando.

Você mesma coloca a mão na massa ou tem um time de designers?
Eu coloco a mão na massa e minha mãe (minha sócia) mais ainda. Vemos os tecidos juntas, montamos os lençóis e as combinações juntas, mas quem cuida das costureiras é ela, pois ela é chata (no bom sentido). Ela é perfeccionista. Eu fico com a parte que eu gosto mais, que é vender, conhecer as pessoas.

Qual é seu produto favorito da marca e por que?
Gosto muito das minhas toalhas, a toalha coelho é meu carro chefe. Porque ela é prática e as mães querem praticidade hoje em dia.

Você vende somente via e-commerce?
Não. Além do e-commerce, faço a feira Baby Bum, que me deu grande visibilidade. Também tenho um atelier onde as mães podem ir, experimentar o protetor de carrinho que fica melhor no carrinho delas ou ver os tecidos, por exemplo, caso queiram alguma coisa diferente. Faço muito lençol sob medida, pois hoje existem mini-camas e camas de solteiro com medidas diferentes, que não se acha em lojas convencionais.

Quais dicas de sucesso você contaria para a sua melhor amiga?
Acho que a melhor dica é fazer aquilo que gosta. É a melhor forma de fazer bem feito. É clichê, mas é verdade. Faça o que você gosta e faça bem feito para não ter que repetir.

Cuidar do trabalho e dos filhos envolve sacrifícios, certo? Como concilia as responsabilidades?
Sim, envolve sacrifícios, mas tenho uma boa equipe aqui em casa, que me ajuda muito. Sempre tive pessoas especiais trabalhando comigo, pessoas em que posso confiar. Isso ajudou muito. Fora que comecei pra valer depois que a Dora já estava um pouco crescidinha. Sempre disse que a prioridade são as meninas (ela tem hoje duas filhas), depois vem o resto. Mas, trabalhar para mim é uma terapia. Não conseguiria mais ficar sem.

Como desenvolveu seu olhar estético?
Sempre me achei básica, sou do tipo que acha que menos é mais. Gosto muito de tecidos diferentes, mas o que me pega mesmo é o tato, a maciez.

Consegue notar mudanças nos hábitos de consumo? – em termos de produtos, consciência ambiental, sustentável…
Sim, e acho isso ótimo. Percebo que hoje em dia as pessoas estão mais preocupadas em reutilizar aquilo que já tem e eu acredito muito nisso. Vejo muitas das minhas clientes pegando o berço emprestado da irmã, o carrinho da cunhada etc. Independente da situação financeira, acho que as pessoas estão percebendo que não há necessidade de tudo novinho. Claro que elas querem coisas novas, mas também estão aproveitando as roupinhas das amigas que os filhos usaram tão pouco. Falo muito também para as clientes que não há necessidade de ter tantos lençóis ou tantas toalhas, como vemos em algumas listas de enxoval. Falo para comprarem um pouco e irem adquirindo mais a medida que sentirem necessidade. Sem exagero.

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