Mãe Empreendedora | Start Arte

Após 15 anos trabalhando como professora de teatro, expressão corporal e música no Colégio Palmares, um dos mais reconhecidos de São Paulo, a arte-educadora Priscilla Credidio deu um passo além, e criou o Start – Espaço do Pensamento Criativo, em 2011. Com uma proposta inovadora, Priscilla mergulhou em um mercado pouco reconhecido, e, por isso, quase sem concorrentes. A resposta positiva mostrou que sua intuição estava certa e que aquela era mesmo a direção a seguir. Hoje, cinco anos mais tarde, as atividades do seu espaço de arte, cultura e eventos diversificaram e estão ainda mais especiais e bem estruturadas. Entenda, a seguir, os serviços oferecidos pelo Start.

O que é o Start – Espaço do Pensamento Criativo?
É um espaço de arte, cultura e eventos direcionado às crianças. O Start começou só com aulas extracurriculares de cultura, arte, dança e teatro, aberta a todas as escolas da região. Começamos pensando em atender as crianças no período extracurricular, mas, logo no 1o ano, o formato foi se transformando. Como funcionamos em uma casa super aconchegante, as mães começaram a pedir para fazer eventos ali. Então, treinei a equipe para fazer eventos ali e, depois, para fazer eventos externos. Formamos uma equipe de arte-educadores que faz desde eventos corporativos até petit comité para crianças em casa. Damos também cursos de férias – dentro e fora do nosso espaço. Quando começamos, havia uma lacuna no mercado, existiam equipes de recreação, mas não uma equipe de profissionais especializados.

Vocês têm como base um método de ensino específico, digo, um fio condutor, que baliza as atividades do Start?
Não existe um só método. Na verdade, o que a gente faz: trabalhamos diversas áreas e não ficamos focados em uma específica, desenvolvemos nosso próprio método, nosso próprio conceito. Sou fã do método Waldorf, mas a gente não segue a linha total. Tentamos encontrar um equilíbrio de tudo que temos por ai, pra achar um meio termo e trabalhar com as crianças.

Quantas pessoas trabalham no Start e quais formações?
São 12 pessoas, entre arte-educadores e assistentes. Eu pego arte-educadores de diferentes áreas: artes plásticas, artes cênicas (atores), músicos. Basicamente são esses. Tenho também 2 profissionais de educação física, que ajudam no desenvolvimento de atividades lúdicas e corporais

Quais são seus maiores desafios à frente do Start?
O principal desafio é fazer com que as pessoas percebam o diferencial do Start: que é o trabalho com arte-educadores. Existem pessoas que fazem hoje em dia um trabalho semelhante ao meu, mas com funcionários que não são capacitados, que não têm a formação que eu exijo das pessoas aqui. O senso critico aqui dentro é muito grande. Os profissionais têm que ser muito gabaritados. Recebo mães que não têm noção da diferença entre recreação e arte-educação. O maior desafio é mostrar essa diferença. Existe um engajamento muito grande em estudos, projetos, aulas.

Outro desafio: deixar a sala de aula pra assumir a frente de uma empresa. Eu entro nas aulas aqui, peço pra entrar, participar, só pra matar a vontade um pouquinho. Nesses últimos três anos, tenho passado umas vontades.

Como foi esse processo, de abrir o seu próprio negócio?
Dentro do Palmares, eu consegui desenvolver um trabalho que não existia. O colégio não focava energia nessa área, até porque existia um pré-conceito de que arte era bandalheira. Eu consegui abrir um espaço no colégio e, então, sai de lá pra assumir de corpo e alma o negócio. No começo, não abandonei de cara o Palmares, pois não sabia como o Start ia ser aceito dentro do mercado. No começo foi bastante difícil.

Apesar de promover uma série de atividades lúdicas, li no site que você não defende uma “criação solta”. Pode explicar o que isso significa, por favor?
A primeira coisa que a gente preza é dar conteúdo para a criança. As crianças são diferentes, se dou uma tinta e falo: crie, podem ter crianças que tem o dom e vão pintar, mas eu acredito que é preciso mostrar pra criança toda a variedade que existe. Eu acredito que a criança tem que ser orientada, que é preciso dar conhecimento – de material, de processos, de como fazer – pra dai, então, ela criar.

Qual é a sua formação? Seu background?
Sou formada em ballet clássico, fiz magistério, fiz pedagogia, também entrei pra a Oficina dos Menestreis, do Oswaldo Montenegro, onde fiquei por 10 anos. Ali, encontrei experiência para trabalhar com os alunos do Palmares, pois eles trabalham com grupos grandes de pessoas e que não necessariamente estão envolvidos com a arte. O que eu aprendia lá, conseguia transportar pra sala de aula, já que elas tinham no mínio 30 alunos. A Oficina permite que você tenha um outro olhar, que faça a pessoa se sentir importante, foi com certeza a minha maior escola.

O Start se afasta das tecnologias, busca uma abordagem mais ‘analógica’, um regresso às brincadeiras simples e lúdicas?
Totalmente! Nossa proposta é essa mesma. Mas, por exemplo, quando trabalhamos em casamentos, criando o cantinho das crianças (wedding kids), chega um determinado momento que se você não oferece um video-game pra um menino de 10 anos, ele pira. Dentro do Start, no entanto, não tenho essa necessidade, só em eventos grandes. Acredito que a vida tem que ser um equilíbrio.

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