Volta ao Trabalho

Por Camilla Antunes

Davi fez três meses e chegou a hora de voltar ao trabalho definitivamente. Sou fotógrafa, meu marido também, trabalhamos por conta própria e antes de engravidar sabia q não poderia ficar longe do trabalho muito tempo. Não poderia e não queria. Amo o que faço, amo a minha independência, me orgulho de todas as nossas conquistas. Conquistas através de muito trabalho. Logo, precisava encontrar formas de conciliar com harmonia a fotografia e o Davi.

Antes de mais nada, me preparei para voltar sem sofrimentos e preocupações. Tenho uma mãe maravilhosa, sempre disposta a ajudar, que mora perto da minha casa e se colocou à disposição para ficar com o Davi. Meu marido me apoia em todas as decisões e assume comigo todas as responsabilidades. Porque não daria certo?

O próximo passo seria me organizar para deixar o leite. E essa parte foi a mais difícil. Sou defensora convicta do aleitamento materno e seus benefícios. Amamentar não é fácil mas é o melhor que podemos oferecer aos nossos pequenos. No entanto, a minha produção nunca foi de “vaca leiteira”. Sei que o Davi está bem alimentado porque ele continua engordando e faz mais de seis fraldas de xixi por dia. Mas em algumas mamadas ele fica bastante irritado com o atraso na ejeção do leite. Além disso, ele mama muito e dorme durante a mamada, não completando o ciclo de produção. Amamentá-lo e tirar o leite para o final de semana definitivamente não foi uma tarefa fácil.

Precisava deixar pelo menos três mamadeiras para as nove horas de trabalho. Minha estratégia foi tirar o leite nos momentos em que o peito estivesse mais cheio e isso só acontecia de madrugada e, com sorte, na primeira mamada do dia. Deixei no total 550 ml tirados a custa de muito suor e conseguimos que ele não precisasse do complemento. (Vale dizer que não sou radicalmente contra o complemento. Se for preciso, ele vai tomar e sem culpas. Só prefiro me esforçar ao máximo para oferecer o melhor para ele).

Confesso que dar tchau e fechar a porta pela primeira vez me encheu os olhos de lágrimas.  Ao mesmo tempo, pensei no quanto o trabalho é importante para nossa família, principalmente para ele que dependerá de nós por um bom tempo. E a lágrima nem chegou a cair. Respirei fundo e segui em frente certa de que o universo sempre conspira a meu favor.

E assim foi! Davi ficou super bem, mamou todas as vezes e dormiu no horário certo mantendo a rotina criada nos nossos primeiros meses. E eu fiquei feliz por voltar ao trabalho que tanto me dá prazer. Foi bom ver que minha independência ainda estava ali e que eu ainda era eu.  O meu amor pelo Davi é tão grande que tinha medo de abrir mão de mim mesma. Não quero deixar que a intensidade do amor de mãe me faça esquecer do amor de esposa, do amor de filha, do amor de amiga e principalmente do amor próprio. Acredito q conseguirei fazê-lo mais feliz se eu estiver feliz por completo. Até porque, em alguns anos, será ele quem fechará a porta de casa para construir  sua própria família.

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